quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

INVASÕES DOS EUA NO MUNDO

Organizado por Alberto da Silva Jones (professor da UFSC):


Entre as várias INVASÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:



1846 - 1848 - MÉXICO - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas

1890 - ARGENTINA - Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos.

1891 - CHILE - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes
nacionalistas.

1891 - HAITI - Tropas americanas debelam a revolta de operários
negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.

1893 - HAWAI - Marinha enviada para suprimir o reinado independente anexar o Hawaí aos EUA.

1894 - NICARÁGUA - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.

1894 - 1895 - CHINA - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.

1894 - 1896 - CORÉIA - Tropas permanecem em Seul durante a guerra.

1895 - PANAMÁ - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.

1898 - 1900 - CHINA - Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.

1898 - 1910 - FILIPINAS - As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas - 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas 11/15/1913) - 600.000 filipinos mortos.

1898 - 1902 - CUBA - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra
hispano-americana.

1898 - Presente - PORTO RICO - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos.

1898 - ILHA DE GUAM - Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.

1898 - ESPANHA - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.

1898 - NICARÁGUA - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.

1899 - ILHA DE SAMOA - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.

1899 - NICARÁGUA - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).

1901 - 1914 - PANAMÁ - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.

1903 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.

1903 - 1904 - REPÚBLICA DOMINICANA - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.

1904 - 1905 - CORÉIA - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.

1906 - 1909 - CUBA -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.

1907 - NICARÁGUA - Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.

1907 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.

1908 - PANAMÁ - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.

1910 - NICARÁGUA - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.

1911 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para proteger interesses mericanos durante a guerra civil, invadem Honduras.

1911 - 1941 - CHINA - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.

1912 - CUBA - Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.

1912 - PANAMÁ - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.

1912 - HONDURAS - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.

1912 - 1933 - NICARÁGUA - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de ombaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.

1913 - MÉXICO - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.

1913 - MÉXICO - Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.

1914 - 1918 - PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.

1914 - REPÚBLICA DOMINICANA - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.

1914 - 1918 - MÉXICO - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.

1915 - 1934 - HAITI- Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.

1916 - 1924 - REPÚBLICA DOMINICANA - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.

1917 - 1933 - CUBA - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.

1918 - 1922 - RÚSSIA - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.

1919 - HONDURAS - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.

1918 - IUGOSLÁVIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.

1920 - GUATEMALA - Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.

1922 - TURQUIA - Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.

1922 - 1927 - CHINA - Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.

1924 - 1925 - HONDURAS - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.

1925 - PANAMÁ - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.

1927 - 1934 - CHINA - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.

1932 - EL SALVADOR - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN - comandadas por Marti.

1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki.

1946 - IRÃ - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.

1946 - IUGOSLÁVIA - Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.

1947 - 1949 - GRÉCIA - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.

1947 - VENEZUELA - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.

1948 - 1949 - CHINA - Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.

1950 - PORTO RICO - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.

1951 - 1953 - CORÉIA - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo
pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul.

1954 - GUATEMALA - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.

1956 - EGITO - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense- britânica, a retirar-se do canal.

1958 - LÍBANO - Forças da Marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.

1958 - PANAMÁ - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.

1961 - 1975 - VIETNÃ. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército
do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático,que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas.

1962 - LAOS - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.

1964 - PANAMÁ - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.

1965 - 1966 - REPÚBLICA DOMINICANA - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.

1966 - 1967 - GUATEMALA - Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.

1969 - 1975 - CAMBOJA - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.

1971 - 1975 - LAOS - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.

1975 - CAMBOJA - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.

1980 - IRÃ - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá
Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do
seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.*

1982 - 1984 - LÍBANO - Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os
americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.

1983 - 1984 - ILHA DE GRANADA - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.

1983 - 1989 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras

1986 - BOLÍVIA - Exército americano invade o território boliviano na
justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de
cocaína.

1989 - ILHAS VIRGENS - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.

1989 - PANAMÁ - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.

1990 - LIBÉRIA - Tropas americanas invadem a Libéria justificando a
evacuação de estrangeiros durante guerra civil.

1990 - 1991 - IRAQUE - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes)
que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.

1990 - 1991 - ARÁBIA** SAUDITA - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.

1992 - 1994 - SOMÁLIA - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas
do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.

1993 - IRAQUE -No início do governo Clinton, é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.

1994 - 1999 - HAITI - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas
americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao
presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.

1996 - 1997 - ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ?Marines evacuam civis? iniciou.

1997 - LIBÉRIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.

1997 - ALBÂNIA - Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.

2000 - COLÔMBIA - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").

2001 - AFEGANISTÃO - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.

2003 - IRAQUE - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo
inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território
iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.

Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A contra revolução jurídica

Escrito por Boaventura de Sousa Santos

18-Dez-2009

Está em curso uma contra-revolução jurídica em vários países latino-americanos. É possível que o Brasil venha a ser um deles.


Entendo por contra-revolução jurídica uma forma de ativismo judiciário conservador que consiste em neutralizar, por via judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das duas últimas décadas pela via política, quase sempre a partir de novas Constituições.
Como o sistema judicial é reativo, é necessário que alguma entidade, individual ou coletiva, decida mobilizá-lo. E assim tem vindo a acontecer porque consideram, não sem razão, que o Poder Judiciário tende a ser conservador. Essa mobilização pressupõe a existência de um sistema judicial com perfil técnico-burocrático, capaz de zelar pela sua independência e aplicar a Justiça com alguma eficiência.
A contra-revolução jurídica não abrange todo o sistema judicial, sendo contrariada, quando possível, por setores progressistas.
Não é um movimento concertado, muito menos uma conspiração. É um entendimento tácito entre elites político-econômicas e judiciais, criado a partir de decisões judiciais concretas, em que as primeiras entendem ler sinais de que as segundas as encorajam a ser mais ativas, sinais que, por sua vez, colocam os setores judiciais progressistas em posição defensiva.
Cobre um vasto leque de temas que têm em comum referirem-se a conflitos individuais diretamente vinculados a conflitos coletivos sobre distribuição de poder e de recursos na sociedade, sobre concepções de democracia e visões de país e de identidade nacional.
Exige uma efetiva convergência entre elites, e não é claro que esteja plenamente consolidada no Brasil. Há apenas sinais, nalguns casos perturbadores, noutros que revelam que está tudo em aberto. Vejamos alguns.


Ações afirmativas no acesso à educação de negros e índios


Estão pendentes nos tribunais ações requerendo a anulação de políticas que visam garantir a educação superior a grupos sociais até agora dela excluídos.
Com o mesmo objetivo, está a ser pedida (nalguns casos, concedida) a anulação de turmas especiais para os filhos de assentados da reforma agrária (convênios entre universidades e Incra), de escolas itinerantes nos acampamentos do MST, de programas de educação indígena e de educação no campo.


Terras indígenas e quilombolas


A ratificação do território indígena da Raposa/Serra do Sol e a certificação dos territórios remanescentes de quilombos constituem atos políticos de justiça social e de justiça histórica de grande alcance. Inconformados, setores oligárquicos estão a conduzir, por meio dos seus braços políticos (DEM, bancada ruralista), uma vasta luta que inclui medidas legislativas e judiciais.
Quanto a estas últimas, podem ser citadas as "cautelas" para dificultar a ratificação de novas reservas e o pedido de súmula vinculante relativo aos "aldeamentos extintos", ambos a ferir de morte as pretensões dos índios guarani, e uma ação proposta no STF que busca restringir drasticamente o conceito de quilombo.


Criminalização do MST


Considerado um dos movimentos sociais mais importantes do continente, o MST tem vindo a ser alvo de tentativas judiciais no sentido de criminalizar as suas atividades e mesmo de dissolvê-lo, com o argumento de ser uma organização terrorista.
E, ao anúncio de alteração dos índices de produtividade para fins de reforma agrária, que ainda são baseados em censo de 1975, seguiu-se a criação de CPI específica para investigar as fontes de financiamento do movimento.


A anistia dos torturadores na ditadura


Está pendente no STF Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pela OAB requerendo que se interprete o artigo 1º da Lei da Anistia como inaplicável a crimes de tortura, assassinato e desaparecimento de corpos praticados por agentes da repressão contra opositores políticos durante o regime militar.
Essa questão tem diretamente a ver com o tipo de democracia que se pretende construir no Brasil: a decisão do STF pode dar a segurança de que a democracia é para defender a todo custo ou, pelo contrário, trivializar a tortura e execuções extrajudiciais que continuam a ser exercidas contra as populações pobres e também a atingir advogados populares e de movimentos sociais.
Há bons argumentos de direito ordinário, constitucional e internacional para bloquear a contra-revolução jurídica. Mas os democratas brasileiros e os movimentos sociais também sabem que o cemitério judicial está juncado de bons argumentos.



Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).


Fonte:anncol-brasil.blogspot.com

FARC e ELN caminham rumo à unidade!

O Secretariado Nacional das Forças Armadas Revolucionarias de Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) e o Comando Central (COCE) do Exército de Libertação Nacional (ELN), fazemos chegar a todos os guerrilheiros e guerrilheiras das duas organizações nosso mais caloroso, combativo, fraterno e revolucionário saúdo.
Lhes informamos que nos hemos reunido em um ambiente de fraternidade e camaraderia que nos tem permitido tratar com sinceridade e transparência o análise do momento atual, as perspectivas e o compromisso que como revolucionários nos assiste, igualmente abordamos as dificuldades que se têm apresentado entre as duas organizações.
O capitalismo está em crise. O império, como sempre o tem feito, trata de conjura-la por meio da guerra, e é assim como incrementa as tropas de ocupação em Afeganistão enviando dezenas de milhares de soldados a somar-se aos já existentes. Hoje Colômbia é convertida em uma grande Base Militar a sua disposição para afogar em sangue a resistência de nosso povo e, desde aqui, pretende fazer retroceder o novo projeto em nossa América que cavalga por seus vales e montanhas. Como resposta a esta pretensão guerrerista é urgente resgatar a bandeira da paz em Colômbia como um compromisso de todo o Continente.
Em esta hora precisa, onde as diversas expressões do movimento social e popular resistem e se mobilizam, nos encaminhamos a trabalhar por la unidade para enfrentar, com firmeza e beligerância, ao atual regime que o governo de Álvaro Uribe tem convertido no mais perverso fantoche dos planos do império pisoteando a dignidade nacional, o anseio dos colombianos, e impondo-se a ponta de canhão paramilitar e repressão institucional inspirado em uma concepção matreira, corrupta e mafiosa.
Avaliações recentes dão conta que os dois mandatos de Uribe são um fracasso no econômico, o político, o social, da justiça e em todos os demais ordens, portanto nada mais equivocado e arriscado para o destino da pátria que uma nova reeleição ou a eleição de um dos candidatos inspirados na Segurança Democrática. Só a unidade e ação decidida dos colombianos patriotas, dos democratas, dos revolucionários e de todos os que guardamos esperanças na solução política poderá deter a guerra, alcançar a paz e fazer possível a construção de uma Colômbia Nova que nos inclua na definição de seu destino que não será alheia às novas dinâmicas que hoje se apresentam em nossa América.
A compreensão das exigências do momento e nossa condição revolucionária nos conduz a ordenar a todas nossas unidades a:
1. Parar a confrontação entre as duas forças a partir da publicação deste documento.
2. Não permitir nenhum tipo de colaboração com o inimigo do povo, nem fazer assinalamentos públicos.
3. Respeito à população não combatente, a seus bens e interesses e a suas organizações sociais.
4. Fazer uso de uma linguagem ponderado e respeitoso entre as duas organizações revolucionárias.
Assumimos o compromisso de habilitar os espaços e mecanismos que permitam esclarecer e encontrar as verdadeiras causas que nos têm levado a esta absurda confrontação em algumas regiões do país, supera-las e trabalhar por ressarcir os danos causados. Deve primar a análise e a controvérsia crítica, franca e construtiva que coadjuve à unidade e a fraternidade revolucionária.
Nosso único inimigo é o imperialismo norteamericano e sua oligarquia lacaia; em sua contra, comprometemos toda nossa energia combativa e revolucionária.
Ratificamos a vigência de las normas de comportamento com as massas acordadas e aprovadas na reunião plenária dos Comandantes em 1990.
As declarações públicas referidas à unidade e ao tratamento das dificuldades entre as duas organizações só e faculdade do Secretariado e do Comando Central.

Manuel Pérez Martínez, Manuel Marulanda Vélez exemplo que devemos cultivar!
A Pátria se respeita, fora ianques da Colômbia!

Assinam pelas FARC-EP:

Secretariado del Estado Maior Central

Pelo ELN:

Comando Central

Montanhas de Colômbia, Novembro de 2009
Fonte:anncol-brasil.blogspot.com

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Os seis meses de Obama e a reflexão de Amin Maalauf


(Por Miguel Urbano Rodrigues)
Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do actual Presidente dos EUA. «Essa pessoa – afirmou – também nos representa». Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barak Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, «seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo».
É antiquíssima a tendência em tempos de grandes crises para o estabelecimento de uma ponte entre a sua superação e o aparecimento de um salvador providencial.
Admiro Amin Maalouf. Terei sido o primeiro português a escrever sobre o seu belo e comovente livro «As Cruzadas vistas pelos Árabes». Essa antiga admiração pelo escritor humanista justifica a minha surpresa ao tomar conhecimento da sua adesão à perigosa tese dos «salvadores».
Nos milénios transcorridos desde a criação da escrita fonética, alguns homens, apresentando-se como reformadores do mundo, exerceram uma influência decisiva para alterar, recorrendo às armas, o rumo da História. Quase sempre para sofrimento dos seus contemporâneos.
Cito, entre outros, Alexandre, César, Gengis Khan, Napoleão e Hitler.
Desconhecer o peso do factor subjectivo na História seria negar uma evidência. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais.
Nem sempre isso foi temporalmente perceptível, mas o sujeito das viragens decisivas foram sempre os povos. O motor dessas mudanças geradoras de avanços civilizacionais não foi este ou aquele indivíduo, mas rupturas, muitas vezes súbitas, provocadas pela intervenção torrencial de massas populares que provocaram a destruição da ordem social preexistente. Isso aconteceu com a Revolução Francesa de 1789 e com as Revoluções Russas de 1917. Sem a teoria, essas revoluções não se teriam produzido, mas o sujeito que tornou possível a mudança – repito – foi nelas o povo, ou mais exactamente uma parcela minoritária da sociedade que actuou em nome do colectivo, traduzindo-lhe aspirações profundas.
A esperança messiânica no aparecimento de um salvador preparado para enfrentar vitoriosamente um presente sombrio e abrir as alamedas de um futuro de paz e prosperidade pode assumir contornos românticos e seduzir muita gente honesta, mas nas suas origens é identificável um pensamento incompatível com o progresso. A História oferece-nos muitos exemplos de salvadores cujo objectivo inconfessado era a defesa da ordem social em desagregação, responsável pela crise.
A MITIFICAÇAO DE OBAMA
A grande crise de civilização que vivemos, inseparável da crise estrutural do sistema capitalista, gerou frustrações e angustias que desembocaram na convicção irracional de que a humanidade, uma vez mais, precisa de um salvador.
Seria incorrecto afirmar que assistimos a uma repetição quase mecânica de situações já vividas.
O mundo era pequeno quando na Palestina surgiu um profeta judeu, Jesus. Crucificado pelos seus contemporâneos, os discípulos projectaram dele a imagem do messias redentor e a sua mensagem, muito alterada, deu origem a uma grande religião.
Outros salvadores, profetas e guerreiros, todos diferentes, houveram, antes e depois, que deixaram memoria como depositários da esperança. Mas nenhum, pelos actos ou pela herança, resolveu magicamente os males cuja denúncia o transformou em pólo da esperada mudança.
O mundo cresceu desmesuradamente. E a dimensão de uma nova e gravíssima crise facilita a compreensão do renascer da fome de um salvador.
Nos EUA puseram-lhe nome: Barack Obama. E na época da informação instantânea, uma campanha de dimensão planetária, desencadeada com o apoio entusiástico dos grandes da União Europeia, co-responsáveis pela crise, difunde um discurso cuja conclusão encontramos na mensagem de Amin Maalouf: uma tragédia espera a humanidade se Obama não a salvar.
A campanha, insidiosa, massacrante, é uma ofensa à inteligência. Mas catapultada por governantes, políticos, banqueiros, militares, escritores, jornalistas, chega aos lugares mais remotos da Terra e impressiona milhões de pessoas em todas as camadas sociais.
O efeito é tão perigoso que a necessidade de lutar contra a mitificação do presidente dos EUA se torna um dever imperioso para as forças progressistas.
Não estou em condições de formar um opinião fundamentada sobre o carácter do cidadão Barack Obama.
A sua inteligência e talento são transparentes. Uma oratória inabitual contribuiu decisivamente para a superação dos obstáculos, na aparência insuperáveis, que encontrou na longa e paciente caminhada que o conduziu à Casa Branca. É também inegável que o apoio do grande capital pesou muitíssimo na escolha que o establishment fez quando Hillary Clinton emergia como favorita. Mas não teria sido eleito se muitas dezenas de milhões de compatriotas seus não confiassem nas suas promessas de mudança. Obama convenceu esses eleitores de que introduziria transformações radicais na sociedade norte-americana e nas relações do seu país com o mundo exterior.
Transcorridos seis meses da sua entrada na Casa Branca, o balanço da Presidência não justifica, antes desmente, o optimismo que a envolve, trombeteado pelos cultores da obamomania.
O que fez e não fez em seis meses não corresponde ao compromisso, desrespeita-o.
No tocante à política interna, a promessa de enfrentar a engrenagem de Washington, por ele fustigada quando candidato, não foi cumprida. O Presidente optou por uma estratégia que privilegia a finança como alavanca de superação da crise, atribuindo papel subalterno a uma politica económica baseada na produção e no emprego. O seu secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, é um tecnocrata de Wall Street, empenhado em acudir aos grandes bancos e a empresas gigantes ameaçadas de falência pelas suas praticas fraudulentas. Mecanismos que contribuíram decisivamente para a crise voltam a ser introduzidos no sistema pelos senhores da finança.
Essa política de namoro com o grande capital é tão ostensiva que tem sido criticada no próprio coração do sistema, inclusive por Prémios Nobel da Economia que apoiaram a candidatura do Presidente.
Obama manteve tribunais militares cuja inconstitucionalidade tinha denunciado e adiou para data imprevisível o encerramento do presídio de Guantanamo. Nas frentes da Educação, da Saúde e da Previdência Social, e no campo da política de imigração, o seu governo não tomou também ate hoje iniciativas que respondam às promessas feitas.
O endividamento externo continua a ser a base em que assenta a hegemonia económica mundial do país. Dai uma vulnerabilidade alarmante. Dois países, a China e o Japão possuem mais de dois biliões de dólares em títulos do Tesouro americano e em reservas. Se abandonassem o dólar, todo o sistema capitalista ruiria, arrastando aliás ambos.
PALESTINA, AFRICA, EUROPA E HONDURAS
No terreno internacional a politica de Obama distancia-se também dos compromissos da campanha.
O discurso é outro, mas no fundamental o Presidente mantêm fidelidade ao projecto de dominação mundial dos EUA como nação predestinada a salvar a humanidade dos perigos que a ameaçam.
Admito que Obama está persuadido de que lhe cabe desempenhar uma missão providencial. Não é um político reaccionário, beócio e enfeudado a grandes grupos financeiros.
Mas o seu desejo de não abdicar de um comportamento ético, tal como o concebe, esbarrou desde a entrada na Casa Branca com engrenagens cujo poder tinha subestimado.
Não se pode esquecer que as suas ideias liberais – na acepção americana da palavra – são inseparáveis da convicção de que o sistema capitalista precisa de grandes reformas, mas deve ser preservado custe o que custar.
Em poucos meses concluiu que o seu projecto de reformas teria de ser reformulado, no plano interno e no externo, ajustando-se a uma relação de forças muito complexa. E, de cedência em cedência, a sua politica adquiriu contornos cada vez mais aceitáveis pelo establishment.
A insuficiência do seu conhecimento da História terá pesado muito na adopção de orientações para a política exterior que pouco diferem das anteriores, inspiradas pelo sonho imperial.
O chamado discurso histórico do Cairo é uma peça que, despojada da retórica, confirma a aliança dos EUA com Israel. Obama insiste nos dois Estados para a Palestina, mas quando o governo de Telavive intensificou a construção de milhares de edifícios em colonatos na Cisjordania reagiu timidamente. Por si só a sua afirmação sobre uma «Jerusalém una e indivisível» ilumina a tendência para a capitulação perante o sionismo arrogante e expansionista.
O discurso dirigido de Ghana à Africa foi outro exercício de retórica. O que dele fica de substancial é a defesa da criação de uma força transnacional para defesa da «democracia» no Continente. Traduzidas em linguagem comum, essas palavras anunciam um reforço de intervenções armadas do imperialismo como «solução» para as crises africanas.
O Presidente expressou a sua grande preocupação com as situações criadas no Darfur (cujas reservas prováveis de petróleo são enormes) e na Somália, mas não proferiu ali um palavra sobre os acontecimentos nas Honduras.
Esse silêncio foi atribuído pela própria imprensa dos EUA à contraditória posição assumida perante o golpe de Estado hondurenho. Obama criticou o gorilazo, não reconheceu o governo fantoche de Micheletti e apoiou a resolução da OEA que exige o regresso de Manuel Zelaya, o presidente legítimo. Mas os EUA não retiraram de Tegucigalpa o seu embaixador, um cubano de Miami que mantém íntimas relações com os golpistas. Indiscrições de militares e de ministros nomeados por Micheletti confirmaram que na embaixada se realizaram reuniões preparatórias do golpe. Para agravar essa rede de cumplicidades, o comando da Força Aérea hondurenha está instalado na base militar norte-americana de Palmerola, a umas dezenas de quilómetros da capital. Foi, aliás, de Hillary Clinton que partiu a ideia da mediação do costaricense Oscar Arias, iniciativa que permite aos golpistas ganhar tempo.
É transparente que a ambiguidade da posição dos EUA perante a crise hondurenha reflecte o seu temor de que a reinstalação na Presidência de Manuel Zelaya fortaleça o bloco de países da ALBA, liderado por Hugo Chavez.
Na União Europeia, onde os governantes continuam a derramar elogios sobre Obama, o presidente utilizou na reunião do G-8 uma linguagem barroca para disfarçar o fundamental do recado transmitido: os EUA não abdicam da tarefa de dirigir o mundo, que se auto atribuíram, nem aceitarão qualquer projecto que retire ao dólar o papel de moeda universal.
Os encontros com Medvedev e Putin deixaram as coisas no pé em que estavam. A troca de sorrisos e de palavras amáveis não pôde disfarçar a desconfiança mútua entre Washington e Moscovo. Uma certeza: a OTAN não desiste da sua intenção de avançar para leste e os EUA não revelam disponibilidade para retirar das fronteiras russas o chamado escudo anti-mísseis.
IRAQUE E AFEGANISTAO-PAQUISTAO
É no Médio Oriente e na Ásia Central que as opções da política internacional de Obama suscitam maior preocupação a nível mundial. Em vez de contribuírem para a paz, disseminam a violência e prolongam e ampliam guerras criminosas herdadas da Administração Bush.
Relativamente ao Irão, os apelos do Presidente a um diálogo franco não encontraram ate agora expressão pratica. Pelo contrario. As exigências sobre a questão nuclear, com contornos de ultimato, persistem, acompanhadas da ameaça de novas sanções.
Simultaneamente, o envolvimento dos serviços de inteligência norte-americanos nas manifestações de rua de Teerão posteriores às eleições tem sido repetidamente confirmado por fontes credíveis, inclusive estadunidenses.
A hipótese de uma agressão militar ao Irão parece, contudo, excluída na actual conjuntura. A Casa Branca terá chegado à conclusão, com o apoio do Pentágono, de que no momento em que os EUA se encontram atolados em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, não existem condições políticas e militares para uma escalada na Região que atingiria o Irão.
No Iraque o esforço da máquina mediática para apresentar o país como «pacificado», o que teria permitido a retirada das cidades do exército norte-americano, é desmentido no dia a dia pela realidade.
A violência no mes de Junho e na primeira quinzena de Julho atingiu ali um nível que não se registava há muito. A resistência à ocupação estrangeira aumenta a cada semana e o governo instalado por Washington está desacreditado.
Impressionado pelos relatórios do general Petraeus, Obama cometeu um erro que pode ser fatal para a imagem da sua Administração. Não se limitou a transferir tropas do Iraque para o Afeganistão; decidiu enviar para aquele país mais 21 000 soldados.
Ao erigir o binómio Afeganistão-Paquistão em primeira prioridade da sua politica exterior não parece consciente de que é arrastado por ilusões que, num contexto diferente, desembocaram há meio século na humilhante derrota do Vietname.
A actual ofensiva na Província do Helmand, em que participam milhares de marines, está a correr muito mal e o número de mortos britânicos suscita já protestos no Reino Unido.
O comandante no terreno é um militar americano cujo currículo contribui para aumentar as apreensões. O general Stanley Chrystal tem sido definido pelo seu passado como um criminoso de guerra.
Petraeus fala numa «nova atmosfera» que permita a conquista das populações. Mas ate agora o que se regista é um crescendo do ódio inspirado pelos invasores. Correspondentes europeus, entre os quais jornalistas de El Pais, insuspeitos de simpatia pela resistência, afirmam que não existe contacto algum da tropa com os moradores das aldeias, que fogem dos soldados americanos e ingleses como o diabo da cruz.
O medo de que o radicalismo islâmico alastre pelo Paquistão está na origem da ambiciosa estratégia bipolar em que Obama deposita tanta confiança. Mas os bombardeamentos das tribos do noroeste paquistanês, que já causaram a morte de centenas de camponeses, gera a indignação da minoria pachtun, a segunda do pais, ou seja mais de vinte milhões de pessoas da mesma etnia dos afegãos pachtunes, separados destes por uma fronteira artificial imposta em 1893 pelo império britânico.
O cepticismo dos próprios media norte-americanos quanto ao desfecho da estratégia de Obama para a Região é já inocultável. Alguns são tão pessimistas, que, prevendo uma derrota de consequências catastróficas, definem a guerra no Afeganistão como «o novo Vietname».
Tudo leva a crer que a evolução da estratégia asiática do Presidente dos EUA pesará muito na sua imagem.
O Barack Obama aclamado como salvador providencial da humanidade por intelectuais como Amin Maalouf corre o risco, se as coisas correrem mal na Ásia, sobretudo nas montanhas e vales do Afeganistão, de surgir como o coveiro involuntário do sonho imperial dos EUA.
Vila Nova de Gaia, 14 de Julho de 2009
Fonte:www.anncol-brasil.blogspot.com
Miguel Urbano Rodrigues é Jornalista e Comunista português

Justiça sequestra 27 fazendas e 450 mil bois de Dantas


A Justiça Federal determinou nesta terça-feira (21) o sequestro de pelo menos 27 fazendas do grupo Opportunity listadas pela Polícia Federal com base em investigações realizadas em todo o Brasil. O tentáculo fundiário do banqueiro Daniel Dantas inclui 453 mil bois. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa de Dantas lava dinheiro através de fazendas, gado e outros negócios agropecuários.
Daniel Dantas e sua irmã Veronica têm participação ativa nas fazendas, segundo a PF. O responsável pela gestão, segundo a Polícia Federal, é Carlos Bernardo Rodenburg, ex-marido de Verônica e ex-diretor do Opportunity. A investigação sobre crimes financeiros descobriu listas de propriedes rurais, mapas de controles de gado e muitos gastos no campo .
Maior rebanho do mundo
O grupo Opportunity começou a investir maciçamente em terras e gado a partir de 2005. Seu tentáculo fundiário, a Agropecuária Santa Bárbara, é capaz de arrematar sozinha 10 mil cabeças de gado, mais de um terço do total orfertado num mega leilão em Cuiabá. O rebanho do Opportunity, de 450 mil cabeças, sobretudo de gado nelore, é tido como o maior do mundo.
A investigação aponta pelo menos 27 fazendas de gado: 23 delas ficam no sul do Pará, duas no norte de Mato Grosso, as de Minas Gerais (Uberaba) e São Paulo (Santo Antonio da Posse, região de Campinas) servem para produzir matrizes (veja o mapa). As propriedades somam 510 mil hectares. Desde a deflagração da Operação Satiagraha pela PF, um ano atrás, algumas delas foram ocupadas por movimentos de trabalhadores sem-terra.
Habeas corpus livraram banqueiro
O sequestro das propriedades rurais do Opportunity foi determinado pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, o mesmo que condenou Dantas em julho de 2008 e determinou sua prisão. O banqueiro escapou das grades graças a dois habeas corpus consecutidos, concedidos com fulminante rapidez pelo presidente do STF (Supremo Tribunal federal), ministro Gilmar Mendes.
A Polícia Federal afirma que o Opportunity já investiu mais de R$ 700 milhões em agropecuária, sendo Daniel Dantas responsável por mais de 20% deste valor: R$ 140 milhões. Segu8ndo a PF, os negócios com terras e gado servem para lavar dinheiro de operações ilícitas.
A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, tentáculo do banqueiro no sul do Pará, também está sendo processada pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) por desmatamento ilegal de 51 mil hectares da Floresta Amazônica para a criação de gado bovino. As propriedades paraenses do Opportunity também contabilizam um histórico de casos de trabalho escravo e disputas fundiárias.
Da redação, com agências

quinta-feira, 2 de julho de 2009

8/8/2008 - Carta ao congresso, pela revalidação do diploma dos estudantes Brasileiros de medicina em Cuba

“Trincheiras de idéias valem mais que trincheiras de pedras”

Justificar

José Martí.

Distintos senhoras e senhores do congresso pela revalidação do diploma dos estudantes de medicina em cuba, por meio desta carta aos distintos senhores pretendemos expressar a situação real dos estudantes de medicina em cuba, residentes em sua maioria na ELAM (Escola Latino Americana de Medicina) instituição de excelência reconhecida por todo a comunidade científica mundial.
Cuba, reconhecidamente, tem hoje uma das melhores medicinas do planeta, com índices muitas vezes superiores aos de países de primeiro mundo, porém, em um grande exemplo de solidariedade e humanismo, poucas vezes antes visto na história, Cuba forma não só estudantes de medicina cubanos, mas também filhos e filhas dos povos de toda a América, em seu principal projeto a ELAM (Escola Latino Americana de Medicina).
A idéia de criar a escola latino americana de medicina surge no final de 1998 como forma de mostrar a solidariedade do povo cubano com os povos irmãos, especialmente da América Latina, ante os desastres causados pelos furacões Mitch e George na América central, surgiu então a idéia por parte do comandante em chefe da revolução Fidel Castro de construir um projeto integral para a região da qual esta instituição forma parte, dez anos depois a ELAM já tem duas turmas graduadas, mais de quatro mil estudantes de 23 países da América, incluindo estudantes norte americanos demonstrando a enorme diferença da posição norte americana de ataque infâmia e calunias e a solidaria posição cubana, a Escola Latino Americana de Medicina conta hoje com mais de quatro mil alunos, se situa na capital de Cuba, Havana, conta com os melhores professores, residência estudantil, os alunos não pagam absolutamente nada para estudar, ganham livros e material escolar, alem de itens Básicos para viver, conta também com laboratórios de química, Física, Anatomia, Fisiologia, histologia, biologia, conta com teatros, quadras poliesportivas, campo de futebol, campo de beisebol, pistas de corrida, aulas de caratê, de artes, canto, entre outras atividades, amplos refeitórios, e boas acomodações. Tendo um dos diplomas de medicina mais bem reconhecidos do mundo, a oportunidade dada hoje por Cuba a esses quatro mil jovens de países subdesenvolvidos de se graduar em medicina em uma das melhores instituições da mundo, constitui um beneficio a toda a América, É notório também o incrível esforço feito por Cuba em manter uma instituição de tamanha excelência, sem nada cobrar, visto que Cuba passa a mais de quarenta anos por um bloqueio econômico feito por parte dos EUA, bloqueio que causa danos e dificuldades imensas a Cuba principalmente ao povo Cubano, é nessa conjuntura que a ELAM forma médicos com consciência, forma médicos de alma não só de diploma, médicos no verdadeiro sentido do juramento de Hipócrates, médicos que tem a consciência de que não se pode falar seriamente de melhora na saúde publica nos seus países e no continente enquanto houver fome, miséria, desalento e opressão, porque fome e miséria também são problemas de saúde publica, médicos com uma consciência nova, de homens e mulheres novos, até quando se vai curar crianças desnutridas, doenças causadas por falta de saneamento, causadas por descaso publico, não, é preciso ter a consciência de que é necessário acabar com a fome e com a miséria, e Cuba hoje da a oportunidade de jovens pobres do mundo, cortadores de cana, indígenas, pessoas que não teriam a condição de fazer medicina em seus países, de se formar médicos, de voltar a seus países e trabalhar para seu povo, mexicanos, peruanos, brasileiros, argentinos, estadunidenses, belizenhos, guatemaltecos, e outros tantos povos de nossa America, porque acima de tudo somos latino americanos, um verdadeiro exercito de médicos prontos para ajudar, um exercito de batas brancas por nossa América, nós estudantes brasileiros de medicina em cuba fazemos desta carta hoje um grito e um apelo as autoridades brasileiras para que não façam da saúde de nosso povo um jogo político, em um país com tantos problemas como nosso tão amado Brasil, que se escute hoje que a ajuda dada por cuba é uma ajuda não só ao Brasil mais a toda a humanidade, que esse grito e apelo hoje chegue ao Brasil com a mesma força que hoje fazemos para nos graduar médicos, para que um dia possamos salvar vidas em nossa pátria, aqui fica nossa mensagem aos distintos senhores e senhoras do congresso, nossa mensagem as autoridades brasileiras, e nossa mensagem a todo o povo brasileiro, nós estudantes brasileiros de medicina em cuba seguimos lutando pelo fim do bloqueio imperialista a cuba e pela validação do nosso diploma, a fim de que um dia possamos trabalhar para nosso povo, para fazer valer a função de um médico em nossa terra, função que ninguém tem o direito de proibir, a inelutável e imprescindível função de salvar vidas.

“Um médico que só de medicina sabe, nem de medicina sabe”
Dr. Ernesto Guevara “Che”

Pelo fim do bloqueio imperialista a Cuba!
Pela Validação do diploma dos estudantes brasileiros de medicina em cuba!

ASS:
Marcus Vinicius Barros de Carvalho. ( RJ )
Michel Mendes Damasceno. ( RJ )
Valmor Rodrigues de Pontes Junior. (SP)
Manoel Carlos Pereira Neto. ( BA )
Stênio Camilo Gomes Machado. ( BA )
Willian Bruno Pereira. ( MG )
Saulo Gruginskie. ( RS )
Daniel Dias. ( SP )

Fonte: www.blog-br.com

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Comunicado urgente desde a clandestinidade


Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Honduras: O Gabinete do Governo do Presidente Zelaya se dirige ao povo hondurenho e à Comunidade Internacional.O Gabinete do Governo de Honduras na resistência,Considerando: Que o domingo 28 de junho, nas primeiras horas da manhã, o Presidente Constitucional da República, José Manuel Zelaya Rosales, foi seqüestrado por um grupo de militares e trasladado para Costa Rica, desde onde ele mesmo denunciou em coletiva de imprensa em nível internacional, o golpe de Estado por parte das Forças Armadas e o Congresso Nacional.Considerando:Que o Congresso Nacional da República, fez aparecer uma renuncia com uma assinatura falsificada, desmentida pelo próprio Presidente Zelaya e seu Gabinete.Considerando:Que, com argumentos fora da realidade, procederam a aceitar a suposta renuncia do Presidente e de seu Gabinete de Governo, para depois nomear de forma ilegal e inconstitucional a Roberto Micheletti Bain, que prestou juramento como Presidente de Fato.Considerando:Que a família do Presidente José Manuel Selaya Rosales e os membros de seu Gabinete estão sendo perseguidos, sem o goze de nenhuma garantia legal.Considerando:Que o Presidente de fato e seu ilegítimo governo junto a deputados e grupos militares têm decretado o toque de recolher das 21:00 horas às 06:00 da manhã, violentando direitos garantidos pela nossa Carta Magna.Considerando:A impossibilidade que tem nestes momentos o povo hondurenho de receber informação objetiva e o fechamento de meios de comunicação independentes, em outro flagrante e consumado atentado à liberdade de expressão.Considerando:Que todos os países membros da Comunidade Internacional, incluída a União Européia, a OEA, os países do Cone Sul, os membros da ALBA, o Sistema de Integração Centro Americana (SICA) e a ONU, condenam o golpe de Estado militar, desconhecendo totalmente o Governo usurpador e ilegal e que exigem a restituição imediata e incondicional do único Presidente Constitucional da República, José Manuel Zelaya Rosales.OS MEMBROS DO GABINETE DO GOVERNO DO PRESIDENTE ZELAYA AO POVO E À COMUNIDADE INTERNACIONAL DECLARAM:1. Que o único Governo legalmente constituído e eleito pelo povo é o do cidadão José Manuel Zelaya Rosales.2. Que estamos organizados, junto a membros da sociedade civil, operários e trabalhadores, partidos políticos e sociedade em geral em uma resistência pacífica, desconhecendo a instalação do Governo e Presidente de Fato que pretende dar um golpe sujo à democracia de nosso país.3. Que o povo hondurenho tem reagido valente e pacificamente, contra esse golpe à democracia.4. Que reiteramos que estamos em pé junto ao nosso Presidente, atentos para defender a democracia e estamos certos de que graças ao contundente apoio do nobre povo hondurenho e da Comunidade Internacional restabeleceremos o Estado de Direito e reinstalar-se-á á o Governo de José Manuel Zelaya Rosales, eleito pelo povo, ara que cumpra seu período constitucional e continue sua incansável lavor em favor do povo hondurenho.Conclamamos a todo o povo hondurenho para que continuemos defendendo pacificamente a democracia para que nas próximas horas restabeleçamos a ordem e a paz em nossa amada Honduras.Tegucigalpa MDC 29 de junho de 2009 GABINETE DO GOVERNO DE HONDURAS NA RESISTÊNCIAENRIQUE FLORES LANZA, MINISTRO DE LA PRESIDENCIAEDUARDO ENRIQUE REINA, SECRETARIO PRIVADOREBECA SANTOS, SECRETARIA DE FINANZASFREDIS CERRATO, SECRETARIO DE INDUSTRIA Y COMERCIOCESAR SALGADO, MINISTRO DEL FHISRICCI MONCADA, MINISTRA DE ENERGIAEDWIN ARAQUE, PRESIDENTE BANCO CENTRAL DE HONDURASJACOBO LAGOS, MINISTRO DE STAFF PRESIDENCIALMARCIO SIERRA, VICEMINISTRO DE LA PRESIDENCIABEATRIZ VALLE, MINISTRA DE RREE POR LEYCARLOS ORBIN MONTOYA, MINISTRO ASESORRODOLFO PASTOR FASQUELLE, MINISTRO DE CULTURA, ARTES Y DEPORTESMILTON JIMENEZ PUERTO, PRESIDENTE COMISION NAC. BANCA Y SEGUROS RICARDO ARIAS, VICEMINISTRO DE LA PRESIDENCIAJORGE MENDEZ , GERENTE DE SANAAFRANCISCO FUNES, GERENTE DEL INAMARCO VELASQUEZ, VICEMINISTRO DE TRANSPORTE Y VIVIENDAMARCO TULIO CARTAGENA, SUBGERENTE DEL INAADA SERRANO, DIRECTORA DEL PANIJOSE MEDINA, MINISTRO DE LAS ETNIASANGEL MURILLO SELVA, MINISTRO DE AGRICULTURA Y GANADERIAMAYRA MEJIA, MINISTRA DE TRABAJO Y SEGURIDAD SOCIALMARLON BREVE, MINISTRO DE EDUCACIONMARCO BURGOS, MINISTRO DE COMISIÓN PERMANENTE DE EMERGENCIASKAREN ZELAYA, MINISTRA DE COOPERACIONDORIS GARCIA, MINISTRA DEL INSTITUTO NACIONAL DE LA MUJERJORGE ALBERTO ROSA, GERENTE HONDUTELSUYAPA PRUDOT, MINISTRA DEL INSTITUTO HONDUREÑO PARA LA NIÑEZ Y LA FAMILIA..

Fonte: ANNCOL

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Emir Sader: Europa à direita, América Latina à esquerda


Foram os europeus que inventaram a expressão “esquerda”, foram eles que nos exportaram seus grandes teóricos, foram sempre eles as referências para as esquerdas de outras regiões do mundo, durante mais de um século e meio. Agora a Europa se torna um bastião da direita, a esquerda européia vive seu momento de maior debilidade desde que o termo foi inventado, enquanto a esquerda se fortalece na América Latina.
Partidos tradicionais de esquerda desfigurados, com tantos deles tendo aplicado rigorosamente políticas neoliberais – como os casos da Espanha, da França, da Inglaterra, da Alemanha, entre tantos outros. Sindicatos muito debilitados, devido às políticas de “flexibilização laboral”, ao desemprego, à exploração chovinista contra os trabalhadores imigrantes. Esquerda radical isolada, dividida. Cenário ideológico dominado pela direita e até mesmo pela extrema direita.Um continente que vive bem, mais distante do que nunca do que vive a periferia, que não quer mudar, que culpa suas vítimas pelos seus problemas – imigração, “terrorismo”. Um continente que preferiu consolidar sua aliança subordinada com os EUA, do que aliar-se à periferia na luta por um mundo melhor.Votam à direita, com hegemonia conservadora, porque são os grandes vencedores da globalização neoliberal, enquanto a América Latina vota à esquerda, porque somos vítimas dessa globalização. Enquanto eles rejeitam a esquerda, a América Latina reivindica e trata de reinventá-la. Enquanto eles rejeitam o marxismo, o pensamento critico latinoamericano busca aplicá-lo criativamente. Enquanto eles reforçam o capitalismo de forma conservadora e autoritária, com políticas duras contra a imigração, países latinoamericanos – como a Bolívia e o Equador – reivindicam a seus imigrantes e elegem representantes seus para suas constituintes e seu sistema política de Estados refundados. Enquanto eles projetam lideres direitistas e autoritários como Sarkozy, Berlusconi, Merkel e se representam neles, a América Latina exibe a imagem dos 5 presidentes latinoamericanos de mão dadas ao alto no Fórum Social Mundial – Evo Morales, Rafael Correa, Lula, Hugo Chavez, Fernando Lugo -, todos outsiders da política tradicional, que começam a construir o “outro mundo possível”.A Europa se transformou em um bastião do conservadorismo no mundo, substituindo a tradicional postura solidária da esquerda no pós-guerra, pelo egoísmo consumista de agora. Promoveu sua integração para se posicionar melhor no mercado mundial, para virar mais ainda um continente fortaleza, fechado sobre si mesmo.Enquanto a América Latina promove processos de integração solidária, que permitem terminar com o analfabetismo na Venezuela e na Bolívia, devolver à visão a quase dois milhões de latinoamericanos, formas as primeiras gerações de médicos pobres – através da Alba. Forma um banco da região - o Banco do Sul -, para financiar nossos próprios projetos. Constitui o Conselho Sulamericano de Defesa, para resolver os conflitos internos dentro da própria região e fortalecer a segurança da região frente às ameaças externas.A eleição e posse recentes de Mauricio Funes, em El Salvador, apenas confirma essa tendência latinoamericano de buscar na esquerda - moderada ou radical - a solução para seus problemas e a vida de superação do neoliberalismo, forjado e exportado do centro do capitalismo para nossos países e assumido por governos aliados do centro do capitalismo. Enquanto a América Latina privilegia a unidade do Sul do mundo, contra o neocolonialismo e a dominação imperial do centro.A Europa se torna uma espécie de museu, congelada, buscando estar de costas para o novo mundo que procuramos construir. Nós, America Latina, um laboratório de experiências de construção desse novo mundo.
Fonte: www.vermelho.org.br

terça-feira, 9 de junho de 2009

Empresas de comunicação cerceiam liberdade de informação

Marco Aurélio Weissheim

A reação das grandes empresas de comunicação do Brasil à iniciativa da Petrobras de criar um blog para disponibilizar para toda a sociedade, diretamente, dados e opiniões da empresa sobre temas relacionados à CPI aprovada no Senado, mostra mais uma vez o caráter autoritário e classista que as caracteriza. Esse caráter aparece resumido na nota divulgada pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), entidade que congrega os grandes empresários da comunicação e que é presidida por um deles, Júlio César Mesquita, do jornal O Estado de São Paulo. A nota acusa a Petrobras de “cercear a liberdade de imprensa” e de tentar “intimidar jornalistas”. Tudo isso porque a Petrobras decidiu dispobilizar, em tempo real e na íntegra, suas respostas aos veículos de comunicação. E é justamente estas duas características, “tempo real e na íntegra”, que despertaram a ira dos empresários da comunicação. Afinal de contas, a iniciativa afronta o desejo de monopólio da informação e a transformação da informação em uma mercadoria que seria “propriedade” das empresas midiáticas.
Esse fato aparece nitidamente também no editorial publicado hoje pelo jornal O Globo que afirma: “As perguntas, encaminhadas por escrito, são de propriedade do jornalista e do veículo a que ele representa”. Pela lógica desse argumento canhestro, se as perguntas são propriedade do veículo, as respostas também o são. A informação é, portanto, uma propriedade do veículo que se auto-intitula porta-voz dos interesses da sociedade. Cabe perguntar quem conferiu às empresas de comunicação (cujo principal objetivo é o lucro) esse título de representantes da sociedade. O editorial de O Globo invoca a Constituição brasileira. Pois bem, pela Constituição o que confere legitimidade à representação da sociedade é o voto popular. Não consta que tais empresas tenham sido eleitas para tal finalidade. O mais incrível é que o mesmo editorial critica a Petrobrás por “violar o direito da sociedade ser informada, sem limitações”. Leia-se: “viola o direito da sociedade ser informada por nós, empresas de comunicação, sem as limitações estabelecidas por nós”.
Um outro aspecto interessante desse debate aparece na coluna da jornalista Rosane de Oliveira, hoje, no jornal Zero Hora. Ela escreve: “Ao só responder perguntas de jornalistas por meio de um blog, a Petrobras tenta acabar com o produto mais caro para a imprensa livre, a informação exclusiva”.
Há quem acredite que o “produto mais caro para a imprensa livre” é a busca da verdade. Há quem ache também que “informação exclusiva” se obtém através de um trabalho investigativo que vai muito além de enviar perguntas por email e ficar sentado esperando as respostas. E que é muito diferente também de cultivar uma relação viciada com as fontes, exigindo exclusividade em assuntos que são de interesse público. É bem conhecida a prática de muitos colunistas que dizem às suas fontes: só publico se somente eu tiver essa informação”. Mais uma vez aqui o desejo de monopólio mostra suas unhas.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A defesa da Coréia & belicosidade dos EUA



por Workers World
Quem nos Estados Unidos prestar atenção ao noticiário dos meios de comunicação corporativos deve pensar que a República Democrática Popular da Coréia violou o Tratado Abrangente de Proibição de Testes. Certo?

Só que tal tratado não existe.
Uns 180 países assinaram-se, mas apenas 148 o ratificaram. Segundo o sítio web da Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization, "Todos os 44 Estados listados especificamente no Tratado – aqueles com capacidades de tecnologia nuclear no momento das negociações finais do Tratado em 1996 – devem assinar e ratificar antes de o CTBT entrar em vigor". (ctbto.org)
Nove daqueles 44 Estados nucleares não ratificaram tratado, apesar de o terem assinado há uns 13 anos atrás. Portanto, o tratado não está e nunca esteve em vigor.
O governo que mais parece protestar quando um país como a RDPC efetua testes tem sede em Washington. Mas, será que pode imaginar? O Senado dos EUA não ratificou o tratado. De fato, é a recusa de Washington que constitui o principal obstáculo para o tratado CTBT entrar em vigor.
Os EUA testaram as primeiras bombas atômicas do mundo em 1945 e quase imediatamente lançaram duas delas sobre cidades japonesas, matando 220 mil pessoas nos locais e deixando outras 200 mil tão envenenadas pela radioatividade que morreram logo após. Desde aquele tempo até assinarem o tratado em 1996, os EUA testaram 1032 armas nucleares.
Este número de testes com ogivas é maior do que aquele que foi executado por todos os restantes países do mundo em conjunto, do início até o presente.
Assim, como pode o mundo ter qualquer confiança num tratado de proibição de testes nucleares se o país que testou um número tão enormemente desproporcionado de armas não o ratificará?
A RDPC efetuou com êxito dois testes subterrâneos de dispositivos nucleares, um em 2006 e outro em 25 de Maio. Ela não lançou quaisquer bombas sobre ninguém. De fato, as suas tropas nunca combateram em qualquer outro lugar senão a Coréia, e isso para expulsar invasores estrangeiros.
A determinação da RDPC de dedicar recursos substanciais à construção de um dissuasor nuclear reflete a história trágica da Coréia. Primeiro invadida e anexada pelo colonialismo do Japão, a seguir ocupada pelas tropas dos EUA no fim da II Guerra Mundial, a Coréia sofreu terrivelmente com a ascensão do imperialismo no século XX.
Os EUA criaram uma ditadura militar fantoche no Sul, a qual em 1948 declarou-se República da Coréia. Foi só então que as forças revolucionárias, que haviam libertado a parte norte da Coréia das garras de ferro do Japão, responderam declarando a constituição da RDPC, não como um Estado permanente que ratificaria a divisão da Coréia, mas como um reconhecimento da realidade. O objetivo da RDPC e do povo coreano como um todo sempre foi reunificar o país. Dentro de dois anos, contudo, a RDPC estava a combater uma nova guerra contra invasores imperialistas – desta vez centenas de milhares de soldados norte-americanos.
Vários milhões de coreanos, civis e soldados, foram mortos na guerra de 1950-53. Uns 53 mil soldados americanos morreram. Embora a guerra acabasse num cessar-fogo com os dois lados aproximadamente onde estavam no princípio, os ocupantes estado-unidenses da Coréia do Sul recusaram-se a assinar um tratado de paz com a RDPC. E assim as coisas permaneceram desde então, com 30 a 40 mil tropas dos EUA a ocuparem o Sul.
Muitos países – o primeiro deles foram os Estados Unidos – declaram que tinham de ter armas nucleares para a autodefesa. Ninguém tem um direito mais forte a um dissuasor nuclear do que a RDPC, a qual durante mais de meio século enfrentou a ameaça constante de nova agressão da mais poderosamente armada superpotência imperialista.
Se Washington fosse sincera acerca de querer avançar para um mundo livre do nuclear, ela começaria por assinar um tratado de paz com a RDPC, ratificar o CTBT e remover as suas tropas de ocupação da Coréia.

27/Maio/2009
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O original encontra-se em http://www.workers.org/2009/editorials/korea_0604/ Este editorial encontra-se em http://resistir.info/.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O Poder Legislativo Municipal



Município é a unidade territorial e política, componente da ordem federativa juntamente com a União, os Estados, e o Distrito Federal. Tem a sua autonomia administrativa, política e financeira, entretanto deve respeitar mutuamente as respectivas esferas de atuação e competência (Estado e União).
A Câmara Municipal é o Órgão Legislativo do Município e se compõe de Vereadores eleitos de acordo com a legislação vigente. A Câmara tem funções legislativas, atribuições para fiscalizar e assessorar o Executivo, competência para organizar e dirigir os seus serviços internos, elaborar leis sobre todas as matérias de competência do Município, respeitando a legislação da União e dos Estados.
A palavra Vereador vem de “Verear” que define a pessoa que tem a incumbência de cuidar do bem-estar dos moradores do lugar, portanto ele é o representante do povo na esfera municipal. Os Vereadores como agentes políticos agem de três formas: propondo, estudando e aprovando leis; recomendando providências à Administração Municipal, para atender as reclamações e necessidades da população para melhoria de sua vida comunitária (indicações, requerimento, moções), fiscalizando as atribuições e contas da Prefeitura inclusive da própria Câmara juntamente com o T. C. M. (Tribunal de Contas dos Municípios).
A Câmara Municipal é formada por determinado número de vereadores (depende do município), pertencentes a diversos partidos políticos, formando as bancadas, isto é, os Vereadores de um mesmo partido se agrupam e formam a sua bancada e esta escolhe o seu líder. O líder em geral, fala em nome do partido e da bancada e em certos momentos, assuntos que venham a facilitar a tramitação dos projetos ou acordos em demais casos.
A atuação mais importante do vereador é sobre a discussão de leis, as quais ditam a vida administrativa da cidade e o atendimento dos superiores interesses da comunidade em todos os sentidos. As leis nascem de um projeto e, em sua maioria, se originam da iniciativa do Poder Executivo, mas também dos vereadores. Outra manifestação político pessoal decorrente de sua posição de Vereador refere-se ao seu trabalho de oferecer sugestões denominadas: indicações, requerimento e moções. Com as Indicações o Vereador oferece sugestões às quais visa levar ao conhecimento do Prefeito problemas locais, tais como: ruas esburacadas, falta de iluminação, falta de água nos bairros, terrenos com mato, calçadas com piso desfeito, atendimento médico-ambulatorial etc.
Já os Requerimentos é o meio pelo qual, o Vereador presta uma homenagem (voto de louvor, voto de pesar), ou solicita ao chefe do Executivo, informações sobre atos por ele praticados.
A Moção é uma forma de a Câmara Municipal manifestar sua opinião elogiando, protestando e repudiando um ato seja do nível Municipal, Estadual ou Federal. A diferença entre o Requerimento e a Moção é que ambos são aprovados, mas o Requerimento representa um pedido exclusivo do Vereador e a Moção representa a vontade e opinião da Câmara Municipal.
Todos esses atos tramitam pela Câmara, dentro de um esquema legal, por normas regulamentares, normas essas que são ditadas pelo seu regimento interno, o qual constitui a lei da vida legislativa da Câmara. Esse regimento das normas básicas de sua competência norteia os direitos e obrigações dos Vereadores, disciplina a composição da Mesa Diretora - aquela que atua em nome da Câmara Municipal, interna e externamente.
.A Sessão Ordinária é aquela que já está designada pelo Regimento Interno. São realizadas no mesmo dia da semana, no caso de São Gabriel, às sextas-feiras 15 horas (3 horas da tarde).
A Sessão Extraordinária é aquela convocada pelo Presidente em caso de haver assunto urgente para deliberar.
As Sessões Solenes são aquelas realizadas por motivo de festividades inclusive as de posse (do Prefeito e Vereadores). Um do os espaços importante para a sociedade no Legislativo é a Tribuna Livre, instrumento que abre a Casa democraticamente às entidades organizadas para que possam vir e exprimir sua opinião, seu protesto, sua critica e sugestões aos própios vereadores. São entidades organizadas da sociedade civil: Sindicatos, Clubes Esportivos, Associações Esportivas, Culturais, Comunitárias e Estudantis, Grupo Sem Terra, Grupo Sem Teto, etc. Essas Associações ou entidades indicam um representante que irá falar ao plenário no dia de Sessões Ordinárias. No caso aqui de São Gabriel, a entidade tem que solicitar o espaço na Tribuna Livre através de Ofício ao Presidente da Casa, 48 horas antes das Sessões Ordinárias. O Poder Legislativo é um espaço aberto e mais representativo do povo.

Silvano Machado é professor, Jornalista e Editor deste blog
diamantemachado@gmail.com





sábado, 16 de maio de 2009

A causa do negro

Um grande artista negro, já rico e respeitado, ao ouvir as queixas de um jovem negro discriminado em seu trabalho, respondeu: "Eu entendo bem o seu problema, eu também já fui negro".

No Brasil, a questão negra é indissociável da questão social. Esta salta aos olhos, mas a discriminação racial é bastante sutil: a muralha de preconceitos cuidadosamente disfarçados mantém as portas abertas para aqueles negros que, mercê de talentos excepcionais, conseguem individualmente um lugar de destaque na vida social. Fecha-se, contudo, completamente à pretensão do conjunto da população afro-descendente de superar a pobreza.

Isto faz com que a estratégia de luta para afirmar os direitos e a dignidade dessa população deva perseguir simultaneamente dois objetivos: de um lado, conquistar condições especiais para que um número considerável de pessoas negras consiga condições de entrar em competição com a população branca pelas posições mais importantes da vida social; e, de outro lado, organizar negros e brancos que militam nas forças de esquerda para derrubar o regime que gera pobreza e instaurar uma sociedade mais homogênea e igualitária.

O atual sistema de "quotas" – com todos seus inconvenientes e limitações – ainda é o único meio prático que se encontrou para colocar pelo menos uma minoria da população negra em condições de superar a pobreza e de liderar intelectualmente seu povo.

Mas, atenção! O programa só funcionará se ficar claro tratar-se de um paliativo - medidas parciais que não estancam a máquina de fabricar pobreza e, portanto, a máquina de manter o preconceito. Pior: o sistema de "quotas" não assegura automaticamente que o jovem negro premiado com a oportunidade de superar a barreira da pobreza e da discriminação se torne um lutador da causa da sua gente. Isoladamente, o programa tende mais à cooptação dessa parcela da população negra pelo sistema que escravizou seus ancestrais e que continua a manter os descendentes em situação de inferioridade social.

Somente a perspectiva de mudança de todo o sistema garante que o beneficiário das "quotas" usará o instrumental adquirido em razão desse programa para mobilizar toda a população discriminada na luta contra o regime. Para quem conhece a composição demográfica do país, não há necessidade de dizer que esta é uma condição indispensável para que a esquerda possa promover uma alteração substancial da correlação de forças que mantém a burguesia no poder.

A visão da ruptura do sistema burguês – hoje o verdadeiro divisor de águas entre os brasileiros - pode ainda ser o grande fator de unidade do povo negro e da vitória da sua causa.

Fonte: www.correiodacidadania.com.br

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Baixio de Irecê: um território do agronegócio


André Pires Maciel

O projeto Baixio de Irecê, em fase de implantação, localizado no Território de Irecê (Ba), constitui-se no maior projeto de irrigação em curso no Brasil. Ofuscado pela celeuma provocada no seio das discussões sobre a transposição do rio São Francisco, o Baixio representa uma das principais obras do Governo Lula no campo brasileiro e enseja um golpe decisivo do agronegócio em sua incursão pelo interior do semi-árido nordestino. Por todo o risco sócio-ambiental que o agronegócio oferece e para ajudar a desconstruir falsas noções ( embutidas no eufórico discurso de crescimento econômico, como se este fosse sinônimo de desenvolvimento pleno), vai aqui algumas considerações de natureza político-geográfica a respeito deste projeto.
O projeto Baixio de Irecê, de acordo com a CODEVASF , é composto por 9 etapas, abrange uma área de 58 659 mil hectares de espaço contínuo nos municípios de Itaguaçú da Bahia e Xique-xique, ambos localizados na microrregião geográfica de Irecê. A implantação do perímetro de irrigação detém potencial para a produção de bioenergia e para a prática da fruticultura, destinados a exportação. Entre os produtos indicados, estão: melão, abacaxi, uva, algodão e cana de açúcar. O projeto, previsto para ser concluído em 2010, é levado a cabo pela CODEVASF, devendo receber recursos da ordem de R$ 241 milhões, previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquadrando-se, dentro do modelo jurídico das Parcerias Público-Privadas (PPP). Consiste na construção de estação de bombeamento, na edificação de canais para transportar a água até o perímetro irrigado, no arrendamento de lotes de terras aos produtores rurais e na prestação de serviços aos usuários.
Conforme a CODEVASF, a primeira etapa, dotada de 4723 ha, deve implementar a produção do dendê , inserido no Programa do Biodiesel. Contempla, além da construção da estação de bombeamento de 10,5 m3/s – já concluída- e da edificação de canais, a implementação das áreas com o cultivo da Palma (planta que origina o óleo do dendê), que será constituído nos moldes da produção integrada. Nesses primeiros 4.723 ha do Projeto serão distribuídos 47 lotes para pequenos produtores, 38 para médios produtores e 32 para empresas.
Para efetivar o tal modelo de produção integrada, o Estado, de forma deliberada, adota como estratégia o abandono da agricultura camponesa, a qual, em face dos baixos indíces de produtividade, expulsa parte de sua força de trabalho para o regime de contratualização. O sistema integrado consiste na concessão, por parte dos empresários das agroindustriais, de matéria-prima, sementes, adubos e assistência técnica aos camponeses, os quais passam a produzir para as empresas em troca de quantias pré-fixadas. O resultado é a precarização do trabalho e altos lucros para um grupo seleto de capitalistas, que se utilizam de uma mão de obra experiente no manejo agrícola.
Em face desta primeira etapa, vê-se que o Baixio está inserido na lógica de expansão dos agrocombustíveis, uma vez que é grande o interesse pela cana. Sua área consiste num território estratégico para o agronegócio, por algumas características sócio-ambientais vigentes, a saber: o solo mais fértil do mundo; água abundante ( neste trecho da bacia do São Francisco, os afluentes mais caudalosos já desembocaram no velho chico; baixa densidade demográfica ( fato que facilita o controle terrritorial); mão de obra abundante e experiente no trato agrícola nas adjacências; fragilidades das organizações políticas dos trabalhadores .
O território em questão passa por mudanças na sua materialidade e no seu uso: acrescenta-se objetos técnicos, como a estação de bombeamento, estradas, infraestrutura hídrica e, ao mesmo tempo, altera-se as relações de uso, com a ampliação de conflitos, já que se torna mais patente a contradição capital versus trabalho. De forma concreta, ocorrem modificações na organização social implicando numa complexificação do trabalho, para se materializar novas formas espaciais e atribuir novas funções àquelas mais antigas, no sentido de forjar uma construção espacial mais útil a reprodução do capital.
Mais uma vez não se pode subestimar o papel do Estado. No caso do Baixio de Irecê, o Estado surge apenas para garantir a segurança da territorialização do agronegócio, tarefa que contempla: montagem do arcabouço jurídico (na lógica das parcerias público-privadas); alocação de recursos para implantação da infraestrutura (capital constante); normalização do uso da terra; expulsão de camponeses.
A montagem da estrutura produtiva de diferentes gêneros para exportação, permitirá a inserção deste espaço no circuito do comércio global, o que implica numa crescente valorização territorial, processo que se impõe mediante a proeminência do valor de troca sobre o valor de uso, atendendo aos ditames do grande capital. Nesse estágio, pode-se falar numa alienação do território, quando a luta de classes comporta uma nova feição: a classe dominada “molda” sua existência de acordo com interesses remotos, interesses daqueles que estabelecem as diretrizes políticas e impõe a remessa de lucros para as matrizes de suas corporações. É a luta de classes ganhando notoriedade no campo das escalas geográficas.
A territorialização do agronegócio levada á cabo no baixio já nos permite vislumbrar alguns ônus sociais, como: a modificação da estrutura agrária no Território de Irecê ( a especulação nas área adjacentes ao perímetro cresce a cada dia) no sentido da concentração fundiária; a exploração das terras no perímetro irrigado com base no valor de troca e a conseqüente precarização do trabalho; a transformação da paisagem (desmatamentos, acréscimos de agrotóxicos nos solos e nas águas); e os conflitos no campo.
Dessa forma, torna-se premente uma ação mais enérgica e planejada das lutas sociais deste território no sentido de convoca a sociedade para uma discussão mais ampla sobre os aspectos mais nocivos do projeto, tendo em vista a construção de um espaço que não seja apenas de alguns, mas de todos.
André Pires Maciel é graduado em Geografia.
geografoandre@gmail.com

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Olegária Mattos: Última Flor do Lácio, gramática e civilidade



Na Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Kant separava a vida do espírito e o mercado, observando que todas as coisas que podem ser comparadas, podem ser trocadas e têm um preço. Mas aquelas que não podem ser comparadas, não podem ser trocadas, por isso não têm preço, mas dignidade. Para garanti-la, o ideário iluminista e democrático da constituição do espaço público—comum a todos e acessível a todos—estabelecia uma esfera de autonomia com respeito às determinações econômicas e às razões do mercado.
Porque privilégios e carências pertencem ao âmbito do que não pode se universalizar como modo de vida sem comprometer os laços sociais, porque de privilégios resultam, no plano ético e político, patrimonialismo e injustiça, porque a carência produz privações e ressentimentos, a invenção democrática é a criação contínua de novos agentes sociais e do imaginário do direito a ter direitos. Para isso, era função do Estado a separação dos interesses particulares e do interesse público.
Divergem a temporalidade do Estado e a do mercado, pois se, por sua natureza, as instituições privadas estão sujeitas às contingências da concorrência e ao cálculo dos custos e dos benefícios, ao Estado cabe velar, no longo prazo e na alternância das gerações, pela sobrevivência de todos os seus cidadãos, propiciando o acesso universal aos direitos sociais, civis e políticos,como o atendimento à saúde, à educação, à cultura. Razão pela qual ceder ao mercado o que é prerrogativa do Estado revela o encolhimento da esfera pública, determinando a privatização da vida e sua queda em valor de troca.
No que diz respeito à aposentadoria, por exemplo, a vida, como valor de mercado, se submete às oscilações da cotação do dia. A civilização do consumo, a ideologização do conforto material e a determinação de todas as esferas da vida pelo fator econômico determinaram as transformações do papel filosófico e existencial da educação e da cultura, não mais valorizadas como quintessência do laço afetivo e das relações sociais.
Da Grécia clássica à modernidade democrática, a escola foi o consentimento da cidade na organização de um novo dispositivo de associação social, espaço de individuação, e apogeu da cidadania política, visando a adoção de uma identidade comum, no compartilhamento de valores através da escrita. Porque falar uma língua é algo diverso de dominá-la, e por ser um meio de comunicação público, foi necessário prover a língua de regras conhecidas por todos e praticadas por todos.
Assim, a difusão da gramática fez migrar o segredo da informação do recinto fechado dos palácios e do saber hermético do escriba oriental para o espaço público da Àgora. Os mestres - os grammatistès - davam acesso às letras, retirando-as de sua condição de grammar,de “conhecimento oculto”, pois “ para quem sabe ler e escrever, coisas impossíveis serão igualmente fáceis”.
À distância da naturalidade da língua falada, a escola ensina que ela é o “processo de adoção” de uma matriz identificatória que substitui a maneira tradicional da parentalidade e da comunicação em um âmbito privado, pela philia que se expressa não apenas em relações de oralidade entre os cidadãos mas por escrito. Razão pela qual a philia abrange a comunicação à distância, no espaço e no tempo, a gramática favorecendo a compreensão da língua quando ela não se apóia na presença dos falantes.
Desde a pólis grega, a philia significa o amor da cidade por si mesma, através de um programa político fundado na lei legível e criticável por todos: “desde sua origem grega”, anota Stiegler, “a escola foi um lugar de adoção [porque não se trata de saberes a que se acede sem necessidade de instrução] que forma uma philia pela constituição de um ideal do Ego, mas que é também, como demos, o povo enquanto ideal da população que não é mais o grupo étnico. Esta escola é o próprio núcleo da democracia”.
A mais recente reforma ortográfica do português no Brasil subordina a língua às contingências do mercado e à agramaticalidade de sua fala oral, rompendo o equilíbrio entre a anomia e a gramatização que caracterizam uma língua viva. Expressionista antes da reforma, “ idéia” ou “ idéia”, a pronúncia diferenciava o português do Brasil e de Portugal, suscitando o metron de seu estranhamento e de seu parentesco , revelador do ethos de um povo. Assim,diferentemente de unificar a palavra escrita, a reforma neutraliza a língua falada, despersonalizando-a. O canto próprio às línguas—sua acentuação, cadência e pronúncia-- recusa a “ língua média”.
A reforma em curso atende à pura funcionalidade da circulação das mercadorias no mercado consumidor e à carência de tradição alfabética no país. Quando a anomia prevalece e cada locutor fala à sua maneira segundo fórmulas privadas, a língua perde sua inteligibilidade e sua aura. Eis por que o latim, língua franca pós-Cruzadas, ao contrário da koiné do Império Romano mediterrâneo, desapareceu como língua viva, resultando nas línguas vernaculares que, por sua vez, para cumprir a comunicação, criaram sua própria gramática .
Por valorizar na língua seu caráter sumário, cômodo e elementar, esta reforma dissolve a dimensão ética da linguagem, da leitura e da literatura. Sob a hegemonia da oralidade agramatical e anti-literária, as desgramatizações não seguem as “tendências da língua viva”, mas obscurecem nuances e refinamentos na comunicação oral e escrita. Além de promover patologias na comunicação, elas atestam desestima pela língua e um déficit na capacidade de amá-la.

* Olgária Mattos é filósofa, professora titular da Universidade de São Paulo.

Fonte: Agência Carta Maior

domingo, 10 de maio de 2009

Crõnica dedicada ao Dia das Mães, embora com final inadequado, ainda que autêntico


Rubem Braga
O menino e seu amiguinho brincavam nas primeiras espumas; o pai fumava um cigarro na praia, batendo papo com um amigo. E o mundo era inocente, na manhã de sol.
Foi então que chegou a Mãe (esta crônica é modesta contribuição ao Dia das Mães), muito elegante em seu short, e mais ainda em seu maiô. Trouxe óculos escuros, uma esteirinha para se esticar, óleo para a pele, revista para ler, pente para se pentear — e trouxe seu coração de Mãe que imediatamente se pôs aflito achando que o menino estava muito longe e o mar estava muito forte.
Depois de fingir três vezes não ouvir seu nome gritado pelo pai, o garoto saiu do mar resmungando, mas logo voltou a se interessar pela alegria da vida, batendo bola com o amigo. Então a Mãe começou a folhear a revista mundana — “que vestido horroroso o da Marieta neste coquetel” — “que presente de casamento vamos dar à Lúcia? tem de ser uma coisa boa” — e outros pequenos assuntos sociais foram aflorados numa conversa preguiçosa. Mas de repente:
— Cadê Joãozinho?
O outro menino, interpelado, informou que Joãozinho tinha ido em casa apanhar uma bola maior.
— Meu Deus, esse menino atravessando a rua sozinho! Vai lá, João, para atravessar com ele, pelo menos na volta!
O pai (fica em minúscula; o Dia é da Mãe) achou que não era preciso:
— O menino tem OITO anos, Maria!
— OITO anos, não, oito anos, uma criança. Se todo dia morre gente grande atropelada, que dirá um menino distraído como esse!
E erguendo-se olhava os carros que passavam, todos guiados por assassinos (em potencial) de seu filhinho.
— Bem, eu vou lá só para você não ficar assustada.
Talvez a sombra do medo tivesse ganho também o coração do pai; mas quando ele se levantou e calçou a alpercata para atravessar os vinte metros de areia fofa e escaldante que o separavam da calçada, o garoto apareceu correndo alegremente com uma bola vermelha na mão, e a paz voltou a reinar sobre a face da praia.
Agora o amigo do casal estava contando pequenos escândalos de uma festa a que fora na véspera, e o casal ouvia, muito interessado — “mas a Niquinha com o coronel? não é possível!” — quando a Mãe se ergueu de repente:
— E o Joãozinho?
Os três olharam em todas as direções, sem resultado. O marido, muito calmo — “deve estar por aí”, a Mãe gradativamente nervosa — “mas por aí, onde?” — o amigo otimista, mas levemente apreensivo. Havia cinco ou seis meninos dentro da água, nenhum era o Joãozinho. Na areia havia outros. Um deles, de costas, cavava um buraco com as mãos, longe.
— Joãozinho!
O pai levantou-se, foi lá, não era. Mas conseguiu encontrar o amigo do filho e perguntou por ele.
— Não sei, eu estava catando conchas, ele estava catando comigo, depois ele sumiu.
A Mãe, que viera correndo, interpelou novamente o amigo do filho. “Mas sumiu como? para onde? entrou na água? não sabe? mas que menino pateta!” O garoto, com cara de bobo, e assustado com o interrogatório, se afastava, mas a Mãe foi segurá-lo pelo braço: “Mas diga, menino, ele entrou no mar? como é que você não viu, você não estava com ele? hein? ele entrou no mar?”.
— Acho que entrou… ou então foi-se embora.
De pé, lábios trêmulos, a Mãe olhava para um lado e outro, apertando bem os olhos míopes para examinar todas as crianças em volta. Todos os meninos de oito anos se parecem na praia, com seus corpinhos queimados e suas cabecinhas castanhas. E como ela queria que cada um fosse seu filho, durante um segundo cada um daqueles meninos era o seu filho, exatamente ele, enfim — mas um gesto, um pequeno movimento de cabeça, e deixava de ser. Correu para um lado e outro. De súbito ficou parada olhando o mar, olhando com tanto ódio e medo (lembrava-se muito bem da história acontecida dois a três anos antes, um menino estava na praia com os pais, eles se distraíram um instante, o menino estava brincando no rasinho, o mar o levou, o corpinho só apareceu cinco dias depois, aqui nesta pr aia mesmo!) — deu um grito para as ondas e espumas — “Joãozinho!”.
Banhistas distraídos foram interrogados — se viram algum menino entrando no mar — o pai e o amigo partiram para um lado e outro da praia, a Mãe ficou ali, trêmula, nada mais existia para ela, sua casa e família, o marido, os bailes, os Nunes, tudo era ridículo e odioso, toda essa gente estúpida na praia que não sabia de seu filho, todos eram culpados — “Joãozinho !” — ela mesma não tinha mais nome nem era mulher, era um bicho ferido, trêmulo, mas terrível, traído no mais essencial de seu ser, cheia de pânico e de ódio, capaz de tudo — “Joãozinho !” — ele apareceu bem perto, trazendo na mão um sorvete que fora comprar. Quase jogou longe o sorvete do menino com um tapa, mandou que ele ficasse sentado ali, se saísse um passo iria ver, ia apanhar muito, menino desgraçado!
O pai e o amigo voltaram a sentar, o menino riscava a areia com o dedo grande do pé, e quando sentiu que a tempestade estava passando fez o comentário em voz baixa, a cabeça curva, mas os olhos erguidos na direção dos pais:
— Mãe é chaaata…
Maio, 1953
Rubem Braga é considerado o melhor cronista brasileiro de todos os tempos.
Texto extraído do livro “A Cidade e a Roça”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1964, pág. 57.
Saiba tudo sobre o autor e sua obra em “Biografias”. Fonte Releituras
Fonte: blogdofavre.ig.com.br

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Vaias e velas marcam manifestação contra Gilmar Mendes

Uma grande bandeira do Brasil estendida no chão. Cinco mil velas acesas espalhados na Praça dos Três Poderes, que não possui iluminação artificial. Milhares de manifestantes apitando, barulho reforçado pelas buzinas dos carros que passavam ao lado da Praça. Esse foi o cenário da manifestação do Movimento Saia às Ruas contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes.
O prédio foi cercado, desde cedo, por barreiras e seguranças. O isolamento não impediu que fosse ouvido a vaia gigante que marcou o ato público. Os manifestantes – crianças, jovens, adultos e velhos – trocaram os discursos e as palavras de ordem por gritos de “rua” e “fora”. Também não faltaram faixas e bandeiras, camisetas com logomarca do Movimento e adesivos com a frase “Fora Gilmar”.
Alguns manifestantes acreditam que o Movimento pode crescer e resultar no afastamento de Gilmar Mendes da presidência do Supremo. Outros, mais modestos, se contentam em demonstrar publicamente a insatisfação com a atuação de Gilmar Mendes em favor dos interesses dos banqueiros e latinfundiários.
Um dos organizadores do evento, João Francisco, acredita que “uma grande manifestação é capaz de derrubá-lo.” Alan Bueno, servidor público, 36 anos, acredita que o movimento tem “fôlego” para crescer e deixar claro a insatisfação popular com a atuação de Gilmar Mendes.
Alan Bueno, que, a exemplo da maioria dos presentes, tomou conhecimento da manifestação pela internet (http://www.saiagilmar.blogspot.com), disse que encontrou amigos da época do “Fora Collor” e colegas da UnB (Universidade de Brasília) e outras pessoas “preocupadas e comprometidas com o Brasil.”
Um dos amigos de Alan, Daniel Cunha, músico, 36 anos, disse que a manifestação serve para “eles (os ministros do STF) saberem que a opinião aqui fora é contrária a ele (Gilmar Mendes).
Adriana Ramos, jornalista e ativista política, 43 anos, se disse indignada com a atuação de Gilmar Mendes, “que sequer esconde a preferência dos interesses que quer beneficiar”. Esses interesses, enumerado por todos os manifestantes, são de defesa dos banqueiros e latinfundiários. A libertação do banqueiro Daniel Dantas, investigado pela Polícia Federal por crimes de formação de quadrilha que fraudava o sistema financeiro, é citado com exemplo dessa posição.
Como Barrabás
De um lado de uma faixa em que estava escrito “Deus, salve o Brasil”, estava Alfeu Leite, aposentado, 75 anos. Ele fez um paralelo entre a atuação de Gilmar Mendes e Barrabás (figura bíblica que mandou soltou um ladrão e condenou Jesus a morrer na cruz). “Ele mandou soltar o ladrão e querem prender o delegado”, em referência à soltura de Daniel Dantas e a tentativa de indiciarem o delegado Protógens Queiroz, que investigou o banqueiro.
Do outro lado da mesma faixa estava Cecília Leite, estudante, 18 anos, neta de Alfeu. Em comum, além do parentesco, a indignação pela atitude do Presidente do STF. “Ele me incentivou a vir, admitiu ela, referindo-se ao avô, mas destacou que é importante os jovens participarem da vida política do País.
A deputada Luciana Genro (PSOL-RS), a única parlamentar na manifestação, disse que o ato representa um fato histórico porque, nunca antes, nenhum presidente do Supremo ganhou a antipatia da população, que não aguenta ver as ações em favor da impunidade e de coação dos agentes policias de exercerem suas profissões. “A manifestação mostra que o Judiciário não é intocável, que tem que prestar contas e atuar de acordo com o sentimento da população que é o de combate à impunidade”, afirmou.
De BrasíliaMárcia Xavier
Fonte: Vermelho



A Cooteba chega a São Gabriel

A microregião de Irecê sempre teve como sustentáculo na assisténcia técnica voltada para a agricultura, as entidades do poder público ou particular e nunca de uma Cooperatica ligada aos movimentos sociais.Essa realidade mudou com a chegada da Cooteba (Cooperativa de Trabalho do Estado da Bahia), em São Gabriel.
A Cooteba presta serviços e acompanhamento técnicos na área de Reforma Agrária, da agricultura familiar, faz cadastros dos produtores no Biodiesel em parceria com a Petrobras, elabora projetos via Pronaf (Programa Nacional da Agricultura Familiar) e constrói Planos de Recuperação e de Desenvolvimento de Asentamentos Rurais, bem como trabalha com capacitação de convivência com semi-árido. Além da assistência técnica, a Cooteba assume compromissos sociais com as comunidades que ela atua, como também apóia a Reforma Agrária.
A sede da Cooteba está localizada no Largo da Pátria, 28, São Gabriel, Centro, Tel:81801191 - Falar com Maron.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

União libera R$ 300 milhões para socorrer desabrigados

O governo federal já liberou R$ 300 milhões para socorro e assistência aos desabrigados e restabelecimento da normalidade nas regiões mais atingidas pelas chuvas. Desde o fim de abril os recursos estão disponíveis para ações da Defesa Civil em todo o Brasil.
Balanço preliminar da Defesa Civil Nacional indica que 11 estados estão sendo afetados pelas enchentes ou desastres provocados pelas águas.
São cerca de 150 mil pessoas nos Estados do Piauí, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Amazonas, Pará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Acre e Santa Catarina. Nas últimas duas semanas, foi liberado um total de 50.150 cestas de alimentos para a população mais afetada nos Estados do Piauí, Maranhão, Paraíba, Acre, Amazonas e Pará.
Sobrevôo Nesta terça-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobrevoou os estados do Piauí e Maranhão para conhecer a situação das cidades mais afetadas pelas enchentes. Ele estava acompanhado dos ministros da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, dos Transportes, Alfredo Nascimento, e Cidades, Márcio Fortes.
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), mais de 120 mil pessoas foram afetadas pelas enchentes nos 41 municípios atingidos no Maranhão, sendo que 29 deles estão em situação de emergência.
A Defesa Civil do Piauí informou que mais de oito mil famílias estão desabrigadas em 22 municípios por causa das fortes chuvas, entre os quais, a capital do estado, Teresina.
No total, 41.045 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas no estado. Vinte e dois municípios decretaram situação de emergência no Piauí. A Defesa Civil já distribuiu aos municípios mais de seis mil cestas básicas, cerca de 1,5 mil filtros e cinco mil cobertores.
O governo federal já autorizou a liberação para o Maranhão de 75 mil itens de material de abrigamento (colchões, cobertores, toalhas, lençóis, travesseiros, fronhas e mosquiteiros), que foram colocados à disposição das coordenadorias estaduais de Defesa Civil. Serão distribuídos, ainda, 1,8 mil filtros de água e 54 rolos de lona e já foram disponibilizadas dez mil cestas de alimentos, que atenderão 50 mil pessoas por um período de duas semanas. Com aproximadamente 23 quilos cada, as cestas são compostas por arroz, feijão, açúcar, leite em pó, macarrão, óleo e farinha.
Para o Piauí foram liberadas 15 mil cestas na segunda-feira (4), que equivalem a 390 toneladas de alimentos e que atenderão 75 mil pessoas, por um período de duas semanas. As cestas encontram-se nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Teresina, e a distribuição será feita pela Defesa Civil estadual.
Segundo o Ministério da Integração Nacional, a Sedec já havia disponibilizado ao Piauí mais de 75 mil kits de abrigo. Os kits, que estavam estocados nos armazéns do estado, estão sendo utilizados de acordo com as necessidades de cada município.

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Fonte:Vermelho