Organizado por Alberto da Silva Jones (professor da UFSC):
Entre as várias INVASÕES das forças armadas dos Estados Unidos fizeram nos séculos XIX, XX e XXI, podemos citar:
1846 - 1848 - MÉXICO - Por causa da anexação, pelos EUA, da República do Texas
1890 - ARGENTINA - Tropas americanas desembarcam em Buenos Aires para defender interesses econômicos americanos.
1891 - CHILE - Fuzileiros Navais esmagam forças rebeldes
nacionalistas.
1891 - HAITI - Tropas americanas debelam a revolta de operários
negros na ilha de Navassa, reclamada pelos EUA.
1893 - HAWAI - Marinha enviada para suprimir o reinado independente anexar o Hawaí aos EUA.
1894 - NICARÁGUA - Tropas ocupam Bluefields, cidade do mar do Caribe, durante um mês.
1894 - 1895 - CHINA - Marinha, Exército e Fuzileiros desembarcam no país durante a guerra sino-japonesa.
1894 - 1896 - CORÉIA - Tropas permanecem em Seul durante a guerra.
1895 - PANAMÁ - Tropas desembarcam no porto de Corinto, província Colombiana.
1898 - 1900 - CHINA - Tropas dos Estados Unidos ocupam a China durante a Rebelião Boxer.
1898 - 1910 - FILIPINAS - As Filipinas lutam pela independência do país, dominado pelos EUA (Massacres realizados por tropas americanas em Balangica, Samar, Filipinas - 27/09/1901 e Bud Bagsak, Sulu, Filipinas 11/15/1913) - 600.000 filipinos mortos.
1898 - 1902 - CUBA - Tropas sitiaram Cuba durante a guerra
hispano-americana.
1898 - Presente - PORTO RICO - Tropas sitiaram Porto Rico na guerra hispano-americana, hoje 'Estado Livre Associado' dos Estados Unidos.
1898 - ILHA DE GUAM - Marinha americana desembarca na ilha e a mantêm como base naval até hoje.
1898 - ESPANHA - Guerra Hispano-Americana - Desencadeada pela misteriosa explosão do encouraçado Maine, em 15 de fevereiro, na Baía de Havana. Esta guerra marca o surgimento dos EUA como potência capitalista e militar mundial.
1898 - NICARÁGUA - Fuzileiros Navais invadem o porto de San Juan del Sur.
1899 - ILHA DE SAMOA - Tropas desembarcam e invadem a Ilha em conseqüência de conflito pela sucessão do trono de Samoa.
1899 - NICARÁGUA - Tropas desembarcam no porto de Bluefields e invadem a Nicarágua (2ª vez).
1901 - 1914 - PANAMÁ - Marinha apóia a revolução quando o Panamá reclamou independência da Colômbia; tropas americanas ocupam o canal em 1901, quando teve início sua construção.
1903 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam em Honduras e intervêm na revolução do povo hondurenho.
1903 - 1904 - REPÚBLICA DOMINICANA - Tropas norte americanas atacaram e invadiram o território dominicano para proteger interesses do capital americano durante a revolução.
1904 - 1905 - CORÉIA - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos desembarcaram no território coreano durante a guerra russo-japonesa.
1906 - 1909 - CUBA -Tropas dos Estados Unidos invadem Cuba e lutam contra o povo cubano durante período de eleições.
1907 - NICARÁGUA - Tropas americanas invadem e impõem a criação de um protetorado, sobre o território livre da Nicarágua.
1907 - HONDURAS - Fuzileiros Navais americanos desembarcam e ocupam Honduras durante a guerra de Honduras com a Nicarágua.
1908 - PANAMÁ - Fuzileiros Navais dos Estados Unidos invadem o Panamá durante período de eleições.
1910 - NICARÁGUA - Fuzileiros navais norte americanos desembarcam e invadem pela 3ª vez Bluefields e Corinto, na Nicarágua.
1911 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para proteger interesses mericanos durante a guerra civil, invadem Honduras.
1911 - 1941 - CHINA - Forças do exército e marinha dos Estados Unidos invadem mais uma vez a China durante período de lutas internas repetidas.
1912 - CUBA - Tropas americanas invadem Cuba com a desculpa de proteger interesses americanos em Havana.
1912 - PANAMÁ - Fuzileiros navais americanos invadem novamente o Panamá e ocupam o país durante eleições presidenciais.
1912 - HONDURAS - Tropas norte americanas mais uma vez invadem Honduras para proteger interesses do capital americano.
1912 - 1933 - NICARÁGUA - Tropas dos Estados Unidos com a desculpa de ombaterem guerrilheiros invadem e ocupam o país durante 20 anos.
1913 - MÉXICO - Fuzileiros da Marinha americana invadem o México com a desculpa de evacuar cidadãos americanos durante a revolução.
1913 - MÉXICO - Durante a Revolução mexicana, os Estados Unidos bloqueiam as fronteiras mexicanas em apoio aos revolucionários.
1914 - 1918 - PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - Os EUA entram no conflito em 6 de abril de 1917 declarando guerra à Alemanha. As perdas americanas chegaram a 114 mil homens.
1914 - REPÚBLICA DOMINICANA - Fuzileiros navais da Marinha dos Estados invadem o solo dominicano e interferem na revolução do povo dominicano em Santo Domingo.
1914 - 1918 - MÉXICO - Marinha e exército dos Estados Unidos invadem o território mexicano e interferem na luta contra nacionalistas.
1915 - 1934 - HAITI- Tropas americanas desembarcam no Haiti, em 28 de julho, e transformam o país numa colônia americana, permanecendo lá durante 19 anos.
1916 - 1924 - REPÚBLICA DOMINICANA - Os EUA invadem e estabelecem um governo militar na República Dominicana, em 29 de novembro, ocupando o país durante oito anos.
1917 - 1933 - CUBA - Tropas americanas desembarcam em Cuba, e transformam o país num protetorado econômico americano, permanecendo essa ocupação por 16 anos.
1918 - 1922 - RÚSSIA - Marinha e tropas americanas enviadas para combater a revolução Bolchevista. O Exército realizou cinco desembarques, sendo derrotado pelos russos em todos eles.
1919 - HONDURAS - Fuzileiros norte americanos desembarcam e invadem mais uma vez o país durante eleições, colocando no poder um governo a seu serviço.
1918 - IUGOSLÁVIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Iugoslávia e intervêm ao lado da Itália contra os sérvios na Dalmácia.
1920 - GUATEMALA - Tropas americanas invadem e ocupam o país durante greve operária do povo da Guatemala.
1922 - TURQUIA - Tropas norte americanas invadem e combatem nacionalistas turcos em Smirna.
1922 - 1927 - CHINA - Marinha e Exército americano mais uma vez invadem a China durante revolta nacionalista.
1924 - 1925 - HONDURAS - Tropas dos Estados Unidos desembarcam e invadem Honduras duas vezes durante eleição nacional.
1925 - PANAMÁ - Tropas americanas invadem o Panamá para debelar greve geral dos trabalhadores panamenhos.
1927 - 1934 - CHINA - Mil fuzileiros americanos desembarcam na China durante a guerra civil local e permanecem durante sete anos, ocupando o território chinês.
1932 - EL SALVADOR - Navios de Guerra dos Estados Unidos são deslocados durante a revolução das Forças do Movimento de Libertação Nacional - FMLN - comandadas por Marti.
1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - Os EUA declaram guerra ao Japão em 8 de dezembro de 1941 e depois a Alemanha e Itália, invadindo o Norte da África, a Ásia e a Europa, culminando com o lançamento das bombas atômicas sobre as cidades desmilitarizadas de Iroshima e Nagasaki.
1946 - IRÃ - Marinha americana ameaça usar artefatos nucleares contra tropas soviéticas caso as mesmas não abandonem a fronteira norte do Irã.
1946 - IUGOSLÁVIA - Presença da marinha americana ameaçando invadir a zona costeira da Iugoslávia em resposta a um avião espião dos Estados Unidos abatido pelos soviéticos.
1947 - 1949 - GRÉCIA - Operação de invasão de Comandos dos EUA garantem vitória da extrema direita nas "eleições" do povo grego.
1947 - VENEZUELA - Em um acordo feito com militares locais, os EUA invadem e derrubam o presidente eleito Rómulo Gallegos, como castigo por ter aumentado o preço do petróleo exportado, colocando um ditador no poder.
1948 - 1949 - CHINA - Fuzileiros americanos invadem pela ultima vez o território chinês para evacuar cidadãos americanos antes da vitória comunista.
1950 - PORTO RICO - Comandos militares dos Estados Unidos ajudam a esmagar a revolução pela independência de Porto Rico, em Ponce.
1951 - 1953 - CORÉIA - Início do conflito entre a República Democrática da Coréia (Norte) e República da Coréia (Sul), na qual cerca de 3 milhões de pessoas morreram. Os Estados Unidos são um dos principais protagonistas da invasão usando como pano de fundo a recém criada Nações Unidas, ao lado dos sul-coreanos. A guerra termina em julho de 1953 sem vencedores e com dois estados polarizados: comunistas ao norte e um governo
pró-americano no sul. Os EUA perderam 33 mil homens e mantém até hoje base militar e aero-naval na Coréia do Sul.
1954 - GUATEMALA - Comandos americanos, sob controle da CIA, derrubam o presidente Arbenz, democraticamente eleito, e impõem uma ditadura militar no país. Jacobo Arbenz havia nacionalizado a empresa United Fruit e impulsionado a Reforma Agrária.
1956 - EGITO - O presidente Nasser nacionaliza o canal de Suez. Tropas americanas se envolvem durante os combates no Canal de Suez sustentados pela Sexta Frota dos EUA. As forças egípcias obrigam a coalizão franco-israelense- britânica, a retirar-se do canal.
1958 - LÍBANO - Forças da Marinha americana invadem apóiam o exército de ocupação do Líbano durante sua guerra civil.
1958 - PANAMÁ - Tropas dos Estados Unidos invadem e combatem manifestantes nacionalistas panamenhos.
1961 - 1975 - VIETNÃ. Aliados ao sul-vietnamitas, o governo americano invade o Vietnã e tenta impedir, sem sucesso, a formação de um estado comunista, unindo o sul e o norte do país. Inicialmente a participação americana se restringe a ajuda econômica e militar (conselheiros e material bélico). Em agosto de 1964, o congresso americano autoriza o presidente a lançar os EUA em guerra. Os Estados Unidos deixam de ser simples consultores do exército
do Vietnã do Sul e entram num conflito traumático,que afetaria toda a política militar dali para frente. A morte de quase 60 mil jovens americanos e a humilhação imposta pela derrota do Sul em 1975, dois anos depois da retirada dos Estados Unidos, moldou a estratégia futura de evitar guerras que impusessem um custo muito alto de vidas americanas e nas quais houvesse inimigos difíceis de derrotar de forma convencional, como os vietcongues e suas táticas de guerrilhas.
1962 - LAOS - Militares americanos invadem e ocupam o Laos durante guerra civil contra guerrilhas do Pathet Lao.
1964 - PANAMÁ - Militares americanos invadiram mais uma vez o Panamá e mataram 20 estudantes, ao reprimirem a manifestação em que os jovens queriam trocar, na zona do canal, a bandeira americana pela bandeira e seu país.
1965 - 1966 - REPÚBLICA DOMINICANA - Trinta mil fuzileiros e pára-quedistas norte americanos desembarcaram na capital do país São Domingo para impedir a nacionalistas panamenhos de chegarem ao poder. A CIA conduz Joaquín Balaguer à presidência, consumando um golpe de estado que depôs o presidente eleito Juan Bosch. O país já fora ocupado pelos americanos de 1916 a 1924.
1966 - 1967 - GUATEMALA - Boinas Verdes e marines americanos invadem o país para combater movimento revolucionário contrario aos interesses econômicos do capital americano.
1969 - 1975 - CAMBOJA - Militares americanos enviados depois que a Guerra do Vietnã invadem e ocupam o Camboja.
1971 - 1975 - LAOS - EUA dirigem a invasão sul-vietnamita bombardeando o território do vizinho Laos, justificando que o país apoiava o povo vietnamita em sua luta contra a invasão americana.
1975 - CAMBOJA - 28 marines americanos são mortos na tentativa de resgatar a tripulação do petroleiro estadunidense Mayaquez.
1980 - IRÃ - Na inauguração do estado islâmico formado pelo Aiatolá
Khomeini, estudantes que haviam participado da Revolução Islâmica do Irã ocuparam a embaixada americana em Teerã e fizeram 60 reféns. O governo americano preparou uma operação militar surpresa para executar o resgate, frustrada por tempestades de areia e falhas em equipamentos. Em meio à frustrada operação, oito militares americanos morreram no choque entre um helicóptero e um avião. Os reféns só seriam libertados um ano depois do
seqüestro, o que enfraqueceu o então presidente Jimmy Carter e elegeu Ronald Reagan, que conseguiu aprovar o maior orçamento militar em época de paz até então.*
1982 - 1984 - LÍBANO - Os Estados Unidos invadiram o Líbano e se envolveram nos conflitos do Líbano logo após a invasão do país por Israel - e acabaram envolvidos na guerra civil que dividiu o país. Em 1980, os americanos supervisionaram a retirada da Organização pela Libertação da Palestina de Beirute. Na segunda intervenção, 1.800 soldados integraram uma força conjunta de vários países, que deveriam restaurar a ordem após o massacre de refugiados palestinos por libaneses aliados a Israel. O custo para os
americanos foi a morte 241 fuzileiros navais, quando os libaneses explodiram um carro bomba perto de um quartel das forças americanas.
1983 - 1984 - ILHA DE GRANADA - Após um bloqueio econômico de quatro anos a CIA coordena esforços que resultam no assassinato do 1º Ministro Maurice Bishop. Seguindo a política de intervenção externa de Ronald Reagan, os Estados Unidos invadiram a ilha caribenha de Granada alegando prestar proteção a 600 estudantes americanos que estavam no país, as tropas eliminaram a influência de Cuba e da União Soviética sobre a política da ilha.
1983 - 1989 - HONDURAS - Tropas americanas enviadas para construir bases em regiões próximas à fronteira, invadem o Honduras
1986 - BOLÍVIA - Exército americano invade o território boliviano na
justificativa de auxiliar tropas bolivianas em incursões nas áreas de
cocaína.
1989 - ILHAS VIRGENS - Tropas americanas desembarcam e invadem as ilhas durante revolta do povo do país contra o governo pró-americano.
1989 - PANAMÁ - Batizada de Operação Causa Justa, a intervenção americana no Panamá foi provavelmente a maior batida policial de todos os tempos: 27 mil soldados ocuparam a ilha para prender o presidente panamenho, Manuel Noriega, antigo ditador aliado do governo americano. Os Estados Unidos justificaram a operação como sendo fundamental para proteger o Canal do Panamá, defender 35 mil americanos que viviam no país, promover a democracia e interromper o tráfico de drogas, que teria em Noriega seu líder na América Central. O ex-presidente cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos.
1990 - LIBÉRIA - Tropas americanas invadem a Libéria justificando a
evacuação de estrangeiros durante guerra civil.
1990 - 1991 - IRAQUE - Após a invasão do Iraque ao Kuwait, em 2 de agosto de 1990, os Estados Unidos com o apoio de seus aliados da Otan, decidem impor um embargo econômico ao país, seguido de uma coalizão anti-Iraque (reunindo além dos países europeus membros da Otan, o Egito e outros países árabes)
que ganhou o título de "Operação Tempestade no Deserto". As hostilidades começaram em 16 de janeiro de 1991, um dia depois do fim do prazo dado ao Iraque para retirar tropas do Kuwait. Para expulsar as forças iraquianas do Kuwait, o então presidente George Bush destacou mais de 500 mil soldados americanos para a Guerra do Golfo.
1990 - 1991 - ARÁBIA** SAUDITA - Tropas americanas destacadas para ocupar a Arábia Saudita que era base militar na guerra contra Iraque.
1992 - 1994 - SOMÁLIA - Tropas americanas, num total de 25 mil soldados, invadem a Somália como parte de uma missão da ONU para distribuir mantimentos para a população esfomeada. Em dezembro, forças militares norte-americanas (comando Delta e Rangers) chegam a Somália para intervir numa guerra entre as facções do então presidente Ali Mahdi Muhammad e tropas
do general rebelde Farah Aidib. Sofrem uma fragorosa derrota militar nas ruas da capital do país.
1993 - IRAQUE -No início do governo Clinton, é lançado um ataque contra instalações militares iraquianas, em retaliação a um suposto atentado, não concretizado, contra o ex-presidente Bush, em visita ao Kuwait.
1994 - 1999 - HAITI - Enviadas pelo presidente Bill Clinton, tropas
americanas ocuparam o Haiti na justificativa de devolver o poder ao
presidente eleito Jean-Betrand Aristide, derrubado por um golpe, mas o que a operação visava era evitar que o conflito interno provocasse uma onda de refugiados haitianos nos Estados Unidos.
1996 - 1997 - ZAIRE (EX REPÚBLICA DO CONGO) - Fuzileiros Navais americanos são enviados para invadir a área dos campos de refugiados Hutus onde a revolução congolesa ?Marines evacuam civis? iniciou.
1997 - LIBÉRIA - Tropas dos Estados Unidos invadem a Libéria justificando a necessidade de evacuar estrangeiros durante guerra civil sob fogo dos rebeldes.
1997 - ALBÂNIA - Tropas americanas invadem a Albânia para evacuarem estrangeiros.
2000 - COLÔMBIA - Marines e "assessores especiais" dos EUA iniciam o Plano Colômbia, que inclui o bombardeamento da floresta com um fungo transgênico fusarium axyporum (o "gás verde").
2001 - AFEGANISTÃO - Os EUA bombardeiam várias cidades afegãs, em resposta ao ataque terrorista ao World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Invadem depois o Afeganistão onde estão até hoje.
2003 - IRAQUE - Sob a alegação de Saddam Hussein esconder armas de destruição e financiar terroristas, os EUA iniciam intensos ataques ao Iraque. É batizada pelos EUA de "Operação Liberdade do Iraque" e por Saddam de "A Última Batalha", a guerra começa com o apoio apenas da Grã-Bretanha, sem o endosso da ONU e sob protestos de manifestantes e de governos no mundo
inteiro. As forças invasoras americanas até hoje estão no território
iraquiano, onde a violência aumentou mais do que nunca.
Na América Latina, África e Ásia, os Estados Unidos invadiam países ou para depor governos democraticamente eleitos pelo povo, ou para dar apoio a ditaduras criadas e montadas pelos Estados Unidos, tudo em nome da "democracia" (deles).
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
A contra revolução jurídica
Escrito por Boaventura de Sousa Santos
18-Dez-2009
Está em curso uma contra-revolução jurídica em vários países latino-americanos. É possível que o Brasil venha a ser um deles.
Entendo por contra-revolução jurídica uma forma de ativismo judiciário conservador que consiste em neutralizar, por via judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das duas últimas décadas pela via política, quase sempre a partir de novas Constituições.
Como o sistema judicial é reativo, é necessário que alguma entidade, individual ou coletiva, decida mobilizá-lo. E assim tem vindo a acontecer porque consideram, não sem razão, que o Poder Judiciário tende a ser conservador. Essa mobilização pressupõe a existência de um sistema judicial com perfil técnico-burocrático, capaz de zelar pela sua independência e aplicar a Justiça com alguma eficiência.
A contra-revolução jurídica não abrange todo o sistema judicial, sendo contrariada, quando possível, por setores progressistas.
Não é um movimento concertado, muito menos uma conspiração. É um entendimento tácito entre elites político-econômicas e judiciais, criado a partir de decisões judiciais concretas, em que as primeiras entendem ler sinais de que as segundas as encorajam a ser mais ativas, sinais que, por sua vez, colocam os setores judiciais progressistas em posição defensiva.
Cobre um vasto leque de temas que têm em comum referirem-se a conflitos individuais diretamente vinculados a conflitos coletivos sobre distribuição de poder e de recursos na sociedade, sobre concepções de democracia e visões de país e de identidade nacional.
Exige uma efetiva convergência entre elites, e não é claro que esteja plenamente consolidada no Brasil. Há apenas sinais, nalguns casos perturbadores, noutros que revelam que está tudo em aberto. Vejamos alguns.
Ações afirmativas no acesso à educação de negros e índios
Estão pendentes nos tribunais ações requerendo a anulação de políticas que visam garantir a educação superior a grupos sociais até agora dela excluídos.
Com o mesmo objetivo, está a ser pedida (nalguns casos, concedida) a anulação de turmas especiais para os filhos de assentados da reforma agrária (convênios entre universidades e Incra), de escolas itinerantes nos acampamentos do MST, de programas de educação indígena e de educação no campo.
Terras indígenas e quilombolas
A ratificação do território indígena da Raposa/Serra do Sol e a certificação dos territórios remanescentes de quilombos constituem atos políticos de justiça social e de justiça histórica de grande alcance. Inconformados, setores oligárquicos estão a conduzir, por meio dos seus braços políticos (DEM, bancada ruralista), uma vasta luta que inclui medidas legislativas e judiciais.
Quanto a estas últimas, podem ser citadas as "cautelas" para dificultar a ratificação de novas reservas e o pedido de súmula vinculante relativo aos "aldeamentos extintos", ambos a ferir de morte as pretensões dos índios guarani, e uma ação proposta no STF que busca restringir drasticamente o conceito de quilombo.
Criminalização do MST
Considerado um dos movimentos sociais mais importantes do continente, o MST tem vindo a ser alvo de tentativas judiciais no sentido de criminalizar as suas atividades e mesmo de dissolvê-lo, com o argumento de ser uma organização terrorista.
E, ao anúncio de alteração dos índices de produtividade para fins de reforma agrária, que ainda são baseados em censo de 1975, seguiu-se a criação de CPI específica para investigar as fontes de financiamento do movimento.
A anistia dos torturadores na ditadura
Está pendente no STF Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pela OAB requerendo que se interprete o artigo 1º da Lei da Anistia como inaplicável a crimes de tortura, assassinato e desaparecimento de corpos praticados por agentes da repressão contra opositores políticos durante o regime militar.
Essa questão tem diretamente a ver com o tipo de democracia que se pretende construir no Brasil: a decisão do STF pode dar a segurança de que a democracia é para defender a todo custo ou, pelo contrário, trivializar a tortura e execuções extrajudiciais que continuam a ser exercidas contra as populações pobres e também a atingir advogados populares e de movimentos sociais.
Há bons argumentos de direito ordinário, constitucional e internacional para bloquear a contra-revolução jurídica. Mas os democratas brasileiros e os movimentos sociais também sabem que o cemitério judicial está juncado de bons argumentos.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte:anncol-brasil.blogspot.com
18-Dez-2009
Está em curso uma contra-revolução jurídica em vários países latino-americanos. É possível que o Brasil venha a ser um deles.
Entendo por contra-revolução jurídica uma forma de ativismo judiciário conservador que consiste em neutralizar, por via judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das duas últimas décadas pela via política, quase sempre a partir de novas Constituições.
Como o sistema judicial é reativo, é necessário que alguma entidade, individual ou coletiva, decida mobilizá-lo. E assim tem vindo a acontecer porque consideram, não sem razão, que o Poder Judiciário tende a ser conservador. Essa mobilização pressupõe a existência de um sistema judicial com perfil técnico-burocrático, capaz de zelar pela sua independência e aplicar a Justiça com alguma eficiência.
A contra-revolução jurídica não abrange todo o sistema judicial, sendo contrariada, quando possível, por setores progressistas.
Não é um movimento concertado, muito menos uma conspiração. É um entendimento tácito entre elites político-econômicas e judiciais, criado a partir de decisões judiciais concretas, em que as primeiras entendem ler sinais de que as segundas as encorajam a ser mais ativas, sinais que, por sua vez, colocam os setores judiciais progressistas em posição defensiva.
Cobre um vasto leque de temas que têm em comum referirem-se a conflitos individuais diretamente vinculados a conflitos coletivos sobre distribuição de poder e de recursos na sociedade, sobre concepções de democracia e visões de país e de identidade nacional.
Exige uma efetiva convergência entre elites, e não é claro que esteja plenamente consolidada no Brasil. Há apenas sinais, nalguns casos perturbadores, noutros que revelam que está tudo em aberto. Vejamos alguns.
Ações afirmativas no acesso à educação de negros e índios
Estão pendentes nos tribunais ações requerendo a anulação de políticas que visam garantir a educação superior a grupos sociais até agora dela excluídos.
Com o mesmo objetivo, está a ser pedida (nalguns casos, concedida) a anulação de turmas especiais para os filhos de assentados da reforma agrária (convênios entre universidades e Incra), de escolas itinerantes nos acampamentos do MST, de programas de educação indígena e de educação no campo.
Terras indígenas e quilombolas
A ratificação do território indígena da Raposa/Serra do Sol e a certificação dos territórios remanescentes de quilombos constituem atos políticos de justiça social e de justiça histórica de grande alcance. Inconformados, setores oligárquicos estão a conduzir, por meio dos seus braços políticos (DEM, bancada ruralista), uma vasta luta que inclui medidas legislativas e judiciais.
Quanto a estas últimas, podem ser citadas as "cautelas" para dificultar a ratificação de novas reservas e o pedido de súmula vinculante relativo aos "aldeamentos extintos", ambos a ferir de morte as pretensões dos índios guarani, e uma ação proposta no STF que busca restringir drasticamente o conceito de quilombo.
Criminalização do MST
Considerado um dos movimentos sociais mais importantes do continente, o MST tem vindo a ser alvo de tentativas judiciais no sentido de criminalizar as suas atividades e mesmo de dissolvê-lo, com o argumento de ser uma organização terrorista.
E, ao anúncio de alteração dos índices de produtividade para fins de reforma agrária, que ainda são baseados em censo de 1975, seguiu-se a criação de CPI específica para investigar as fontes de financiamento do movimento.
A anistia dos torturadores na ditadura
Está pendente no STF Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental proposta pela OAB requerendo que se interprete o artigo 1º da Lei da Anistia como inaplicável a crimes de tortura, assassinato e desaparecimento de corpos praticados por agentes da repressão contra opositores políticos durante o regime militar.
Essa questão tem diretamente a ver com o tipo de democracia que se pretende construir no Brasil: a decisão do STF pode dar a segurança de que a democracia é para defender a todo custo ou, pelo contrário, trivializar a tortura e execuções extrajudiciais que continuam a ser exercidas contra as populações pobres e também a atingir advogados populares e de movimentos sociais.
Há bons argumentos de direito ordinário, constitucional e internacional para bloquear a contra-revolução jurídica. Mas os democratas brasileiros e os movimentos sociais também sabem que o cemitério judicial está juncado de bons argumentos.
Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Fonte:anncol-brasil.blogspot.com
FARC e ELN caminham rumo à unidade!
O Secretariado Nacional das Forças Armadas Revolucionarias de Colômbia - Exército do Povo (FARC-EP) e o Comando Central (COCE) do Exército de Libertação Nacional (ELN), fazemos chegar a todos os guerrilheiros e guerrilheiras das duas organizações nosso mais caloroso, combativo, fraterno e revolucionário saúdo.
Lhes informamos que nos hemos reunido em um ambiente de fraternidade e camaraderia que nos tem permitido tratar com sinceridade e transparência o análise do momento atual, as perspectivas e o compromisso que como revolucionários nos assiste, igualmente abordamos as dificuldades que se têm apresentado entre as duas organizações.
O capitalismo está em crise. O império, como sempre o tem feito, trata de conjura-la por meio da guerra, e é assim como incrementa as tropas de ocupação em Afeganistão enviando dezenas de milhares de soldados a somar-se aos já existentes. Hoje Colômbia é convertida em uma grande Base Militar a sua disposição para afogar em sangue a resistência de nosso povo e, desde aqui, pretende fazer retroceder o novo projeto em nossa América que cavalga por seus vales e montanhas. Como resposta a esta pretensão guerrerista é urgente resgatar a bandeira da paz em Colômbia como um compromisso de todo o Continente.
Em esta hora precisa, onde as diversas expressões do movimento social e popular resistem e se mobilizam, nos encaminhamos a trabalhar por la unidade para enfrentar, com firmeza e beligerância, ao atual regime que o governo de Álvaro Uribe tem convertido no mais perverso fantoche dos planos do império pisoteando a dignidade nacional, o anseio dos colombianos, e impondo-se a ponta de canhão paramilitar e repressão institucional inspirado em uma concepção matreira, corrupta e mafiosa.
Avaliações recentes dão conta que os dois mandatos de Uribe são um fracasso no econômico, o político, o social, da justiça e em todos os demais ordens, portanto nada mais equivocado e arriscado para o destino da pátria que uma nova reeleição ou a eleição de um dos candidatos inspirados na Segurança Democrática. Só a unidade e ação decidida dos colombianos patriotas, dos democratas, dos revolucionários e de todos os que guardamos esperanças na solução política poderá deter a guerra, alcançar a paz e fazer possível a construção de uma Colômbia Nova que nos inclua na definição de seu destino que não será alheia às novas dinâmicas que hoje se apresentam em nossa América.
A compreensão das exigências do momento e nossa condição revolucionária nos conduz a ordenar a todas nossas unidades a:
1. Parar a confrontação entre as duas forças a partir da publicação deste documento.
2. Não permitir nenhum tipo de colaboração com o inimigo do povo, nem fazer assinalamentos públicos.
3. Respeito à população não combatente, a seus bens e interesses e a suas organizações sociais.
4. Fazer uso de uma linguagem ponderado e respeitoso entre as duas organizações revolucionárias.
Assumimos o compromisso de habilitar os espaços e mecanismos que permitam esclarecer e encontrar as verdadeiras causas que nos têm levado a esta absurda confrontação em algumas regiões do país, supera-las e trabalhar por ressarcir os danos causados. Deve primar a análise e a controvérsia crítica, franca e construtiva que coadjuve à unidade e a fraternidade revolucionária.
Nosso único inimigo é o imperialismo norteamericano e sua oligarquia lacaia; em sua contra, comprometemos toda nossa energia combativa e revolucionária.
Ratificamos a vigência de las normas de comportamento com as massas acordadas e aprovadas na reunião plenária dos Comandantes em 1990.
As declarações públicas referidas à unidade e ao tratamento das dificuldades entre as duas organizações só e faculdade do Secretariado e do Comando Central.
Manuel Pérez Martínez, Manuel Marulanda Vélez exemplo que devemos cultivar!
A Pátria se respeita, fora ianques da Colômbia!
Assinam pelas FARC-EP:
Secretariado del Estado Maior Central
Pelo ELN:
Comando Central
Montanhas de Colômbia, Novembro de 2009
Fonte:anncol-brasil.blogspot.com
Lhes informamos que nos hemos reunido em um ambiente de fraternidade e camaraderia que nos tem permitido tratar com sinceridade e transparência o análise do momento atual, as perspectivas e o compromisso que como revolucionários nos assiste, igualmente abordamos as dificuldades que se têm apresentado entre as duas organizações.
O capitalismo está em crise. O império, como sempre o tem feito, trata de conjura-la por meio da guerra, e é assim como incrementa as tropas de ocupação em Afeganistão enviando dezenas de milhares de soldados a somar-se aos já existentes. Hoje Colômbia é convertida em uma grande Base Militar a sua disposição para afogar em sangue a resistência de nosso povo e, desde aqui, pretende fazer retroceder o novo projeto em nossa América que cavalga por seus vales e montanhas. Como resposta a esta pretensão guerrerista é urgente resgatar a bandeira da paz em Colômbia como um compromisso de todo o Continente.
Em esta hora precisa, onde as diversas expressões do movimento social e popular resistem e se mobilizam, nos encaminhamos a trabalhar por la unidade para enfrentar, com firmeza e beligerância, ao atual regime que o governo de Álvaro Uribe tem convertido no mais perverso fantoche dos planos do império pisoteando a dignidade nacional, o anseio dos colombianos, e impondo-se a ponta de canhão paramilitar e repressão institucional inspirado em uma concepção matreira, corrupta e mafiosa.
Avaliações recentes dão conta que os dois mandatos de Uribe são um fracasso no econômico, o político, o social, da justiça e em todos os demais ordens, portanto nada mais equivocado e arriscado para o destino da pátria que uma nova reeleição ou a eleição de um dos candidatos inspirados na Segurança Democrática. Só a unidade e ação decidida dos colombianos patriotas, dos democratas, dos revolucionários e de todos os que guardamos esperanças na solução política poderá deter a guerra, alcançar a paz e fazer possível a construção de uma Colômbia Nova que nos inclua na definição de seu destino que não será alheia às novas dinâmicas que hoje se apresentam em nossa América.
A compreensão das exigências do momento e nossa condição revolucionária nos conduz a ordenar a todas nossas unidades a:
1. Parar a confrontação entre as duas forças a partir da publicação deste documento.
2. Não permitir nenhum tipo de colaboração com o inimigo do povo, nem fazer assinalamentos públicos.
3. Respeito à população não combatente, a seus bens e interesses e a suas organizações sociais.
4. Fazer uso de uma linguagem ponderado e respeitoso entre as duas organizações revolucionárias.
Assumimos o compromisso de habilitar os espaços e mecanismos que permitam esclarecer e encontrar as verdadeiras causas que nos têm levado a esta absurda confrontação em algumas regiões do país, supera-las e trabalhar por ressarcir os danos causados. Deve primar a análise e a controvérsia crítica, franca e construtiva que coadjuve à unidade e a fraternidade revolucionária.
Nosso único inimigo é o imperialismo norteamericano e sua oligarquia lacaia; em sua contra, comprometemos toda nossa energia combativa e revolucionária.
Ratificamos a vigência de las normas de comportamento com as massas acordadas e aprovadas na reunião plenária dos Comandantes em 1990.
As declarações públicas referidas à unidade e ao tratamento das dificuldades entre as duas organizações só e faculdade do Secretariado e do Comando Central.
Manuel Pérez Martínez, Manuel Marulanda Vélez exemplo que devemos cultivar!
A Pátria se respeita, fora ianques da Colômbia!
Assinam pelas FARC-EP:
Secretariado del Estado Maior Central
Pelo ELN:
Comando Central
Montanhas de Colômbia, Novembro de 2009
Fonte:anncol-brasil.blogspot.com
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Os seis meses de Obama e a reflexão de Amin Maalauf
(Por Miguel Urbano Rodrigues)
Na Conferência que pronunciou em Lisboa o escritor Amin Maalouf fez uma apologia apaixonada do actual Presidente dos EUA. «Essa pessoa – afirmou – também nos representa». Numa entrevista ao Público expressou a convicção de que o futuro da humanidade, quase a sua sobrevivência, depende do êxito da estratégia de Barak Obama. O eventual fracasso do presidente, na sua opinião, «seria uma tragédia para a América, para o Ocidente e para o Mundo».
É antiquíssima a tendência em tempos de grandes crises para o estabelecimento de uma ponte entre a sua superação e o aparecimento de um salvador providencial.
Admiro Amin Maalouf. Terei sido o primeiro português a escrever sobre o seu belo e comovente livro «As Cruzadas vistas pelos Árabes». Essa antiga admiração pelo escritor humanista justifica a minha surpresa ao tomar conhecimento da sua adesão à perigosa tese dos «salvadores».
Nos milénios transcorridos desde a criação da escrita fonética, alguns homens, apresentando-se como reformadores do mundo, exerceram uma influência decisiva para alterar, recorrendo às armas, o rumo da História. Quase sempre para sofrimento dos seus contemporâneos.
Cito, entre outros, Alexandre, César, Gengis Khan, Napoleão e Hitler.
Desconhecer o peso do factor subjectivo na História seria negar uma evidência. Mas basta acompanhar no seu percurso sinuoso a lenta marcha do grande rio da História para se compreender que as grandes transformações que contribuíram para o progresso da humanidade não resultaram da intervenção de salvadores providenciais.
Nem sempre isso foi temporalmente perceptível, mas o sujeito das viragens decisivas foram sempre os povos. O motor dessas mudanças geradoras de avanços civilizacionais não foi este ou aquele indivíduo, mas rupturas, muitas vezes súbitas, provocadas pela intervenção torrencial de massas populares que provocaram a destruição da ordem social preexistente. Isso aconteceu com a Revolução Francesa de 1789 e com as Revoluções Russas de 1917. Sem a teoria, essas revoluções não se teriam produzido, mas o sujeito que tornou possível a mudança – repito – foi nelas o povo, ou mais exactamente uma parcela minoritária da sociedade que actuou em nome do colectivo, traduzindo-lhe aspirações profundas.
A esperança messiânica no aparecimento de um salvador preparado para enfrentar vitoriosamente um presente sombrio e abrir as alamedas de um futuro de paz e prosperidade pode assumir contornos românticos e seduzir muita gente honesta, mas nas suas origens é identificável um pensamento incompatível com o progresso. A História oferece-nos muitos exemplos de salvadores cujo objectivo inconfessado era a defesa da ordem social em desagregação, responsável pela crise.
A MITIFICAÇAO DE OBAMA
A grande crise de civilização que vivemos, inseparável da crise estrutural do sistema capitalista, gerou frustrações e angustias que desembocaram na convicção irracional de que a humanidade, uma vez mais, precisa de um salvador.
Seria incorrecto afirmar que assistimos a uma repetição quase mecânica de situações já vividas.
O mundo era pequeno quando na Palestina surgiu um profeta judeu, Jesus. Crucificado pelos seus contemporâneos, os discípulos projectaram dele a imagem do messias redentor e a sua mensagem, muito alterada, deu origem a uma grande religião.
Outros salvadores, profetas e guerreiros, todos diferentes, houveram, antes e depois, que deixaram memoria como depositários da esperança. Mas nenhum, pelos actos ou pela herança, resolveu magicamente os males cuja denúncia o transformou em pólo da esperada mudança.
O mundo cresceu desmesuradamente. E a dimensão de uma nova e gravíssima crise facilita a compreensão do renascer da fome de um salvador.
Nos EUA puseram-lhe nome: Barack Obama. E na época da informação instantânea, uma campanha de dimensão planetária, desencadeada com o apoio entusiástico dos grandes da União Europeia, co-responsáveis pela crise, difunde um discurso cuja conclusão encontramos na mensagem de Amin Maalouf: uma tragédia espera a humanidade se Obama não a salvar.
A campanha, insidiosa, massacrante, é uma ofensa à inteligência. Mas catapultada por governantes, políticos, banqueiros, militares, escritores, jornalistas, chega aos lugares mais remotos da Terra e impressiona milhões de pessoas em todas as camadas sociais.
O efeito é tão perigoso que a necessidade de lutar contra a mitificação do presidente dos EUA se torna um dever imperioso para as forças progressistas.
Não estou em condições de formar um opinião fundamentada sobre o carácter do cidadão Barack Obama.
A sua inteligência e talento são transparentes. Uma oratória inabitual contribuiu decisivamente para a superação dos obstáculos, na aparência insuperáveis, que encontrou na longa e paciente caminhada que o conduziu à Casa Branca. É também inegável que o apoio do grande capital pesou muitíssimo na escolha que o establishment fez quando Hillary Clinton emergia como favorita. Mas não teria sido eleito se muitas dezenas de milhões de compatriotas seus não confiassem nas suas promessas de mudança. Obama convenceu esses eleitores de que introduziria transformações radicais na sociedade norte-americana e nas relações do seu país com o mundo exterior.
Transcorridos seis meses da sua entrada na Casa Branca, o balanço da Presidência não justifica, antes desmente, o optimismo que a envolve, trombeteado pelos cultores da obamomania.
O que fez e não fez em seis meses não corresponde ao compromisso, desrespeita-o.
No tocante à política interna, a promessa de enfrentar a engrenagem de Washington, por ele fustigada quando candidato, não foi cumprida. O Presidente optou por uma estratégia que privilegia a finança como alavanca de superação da crise, atribuindo papel subalterno a uma politica económica baseada na produção e no emprego. O seu secretário do Tesouro, Thimothy Geithner, é um tecnocrata de Wall Street, empenhado em acudir aos grandes bancos e a empresas gigantes ameaçadas de falência pelas suas praticas fraudulentas. Mecanismos que contribuíram decisivamente para a crise voltam a ser introduzidos no sistema pelos senhores da finança.
Essa política de namoro com o grande capital é tão ostensiva que tem sido criticada no próprio coração do sistema, inclusive por Prémios Nobel da Economia que apoiaram a candidatura do Presidente.
Obama manteve tribunais militares cuja inconstitucionalidade tinha denunciado e adiou para data imprevisível o encerramento do presídio de Guantanamo. Nas frentes da Educação, da Saúde e da Previdência Social, e no campo da política de imigração, o seu governo não tomou também ate hoje iniciativas que respondam às promessas feitas.
O endividamento externo continua a ser a base em que assenta a hegemonia económica mundial do país. Dai uma vulnerabilidade alarmante. Dois países, a China e o Japão possuem mais de dois biliões de dólares em títulos do Tesouro americano e em reservas. Se abandonassem o dólar, todo o sistema capitalista ruiria, arrastando aliás ambos.
PALESTINA, AFRICA, EUROPA E HONDURAS
No terreno internacional a politica de Obama distancia-se também dos compromissos da campanha.
O discurso é outro, mas no fundamental o Presidente mantêm fidelidade ao projecto de dominação mundial dos EUA como nação predestinada a salvar a humanidade dos perigos que a ameaçam.
Admito que Obama está persuadido de que lhe cabe desempenhar uma missão providencial. Não é um político reaccionário, beócio e enfeudado a grandes grupos financeiros.
Mas o seu desejo de não abdicar de um comportamento ético, tal como o concebe, esbarrou desde a entrada na Casa Branca com engrenagens cujo poder tinha subestimado.
Não se pode esquecer que as suas ideias liberais – na acepção americana da palavra – são inseparáveis da convicção de que o sistema capitalista precisa de grandes reformas, mas deve ser preservado custe o que custar.
Em poucos meses concluiu que o seu projecto de reformas teria de ser reformulado, no plano interno e no externo, ajustando-se a uma relação de forças muito complexa. E, de cedência em cedência, a sua politica adquiriu contornos cada vez mais aceitáveis pelo establishment.
A insuficiência do seu conhecimento da História terá pesado muito na adopção de orientações para a política exterior que pouco diferem das anteriores, inspiradas pelo sonho imperial.
O chamado discurso histórico do Cairo é uma peça que, despojada da retórica, confirma a aliança dos EUA com Israel. Obama insiste nos dois Estados para a Palestina, mas quando o governo de Telavive intensificou a construção de milhares de edifícios em colonatos na Cisjordania reagiu timidamente. Por si só a sua afirmação sobre uma «Jerusalém una e indivisível» ilumina a tendência para a capitulação perante o sionismo arrogante e expansionista.
O discurso dirigido de Ghana à Africa foi outro exercício de retórica. O que dele fica de substancial é a defesa da criação de uma força transnacional para defesa da «democracia» no Continente. Traduzidas em linguagem comum, essas palavras anunciam um reforço de intervenções armadas do imperialismo como «solução» para as crises africanas.
O Presidente expressou a sua grande preocupação com as situações criadas no Darfur (cujas reservas prováveis de petróleo são enormes) e na Somália, mas não proferiu ali um palavra sobre os acontecimentos nas Honduras.
Esse silêncio foi atribuído pela própria imprensa dos EUA à contraditória posição assumida perante o golpe de Estado hondurenho. Obama criticou o gorilazo, não reconheceu o governo fantoche de Micheletti e apoiou a resolução da OEA que exige o regresso de Manuel Zelaya, o presidente legítimo. Mas os EUA não retiraram de Tegucigalpa o seu embaixador, um cubano de Miami que mantém íntimas relações com os golpistas. Indiscrições de militares e de ministros nomeados por Micheletti confirmaram que na embaixada se realizaram reuniões preparatórias do golpe. Para agravar essa rede de cumplicidades, o comando da Força Aérea hondurenha está instalado na base militar norte-americana de Palmerola, a umas dezenas de quilómetros da capital. Foi, aliás, de Hillary Clinton que partiu a ideia da mediação do costaricense Oscar Arias, iniciativa que permite aos golpistas ganhar tempo.
É transparente que a ambiguidade da posição dos EUA perante a crise hondurenha reflecte o seu temor de que a reinstalação na Presidência de Manuel Zelaya fortaleça o bloco de países da ALBA, liderado por Hugo Chavez.
Na União Europeia, onde os governantes continuam a derramar elogios sobre Obama, o presidente utilizou na reunião do G-8 uma linguagem barroca para disfarçar o fundamental do recado transmitido: os EUA não abdicam da tarefa de dirigir o mundo, que se auto atribuíram, nem aceitarão qualquer projecto que retire ao dólar o papel de moeda universal.
Os encontros com Medvedev e Putin deixaram as coisas no pé em que estavam. A troca de sorrisos e de palavras amáveis não pôde disfarçar a desconfiança mútua entre Washington e Moscovo. Uma certeza: a OTAN não desiste da sua intenção de avançar para leste e os EUA não revelam disponibilidade para retirar das fronteiras russas o chamado escudo anti-mísseis.
IRAQUE E AFEGANISTAO-PAQUISTAO
É no Médio Oriente e na Ásia Central que as opções da política internacional de Obama suscitam maior preocupação a nível mundial. Em vez de contribuírem para a paz, disseminam a violência e prolongam e ampliam guerras criminosas herdadas da Administração Bush.
Relativamente ao Irão, os apelos do Presidente a um diálogo franco não encontraram ate agora expressão pratica. Pelo contrario. As exigências sobre a questão nuclear, com contornos de ultimato, persistem, acompanhadas da ameaça de novas sanções.
Simultaneamente, o envolvimento dos serviços de inteligência norte-americanos nas manifestações de rua de Teerão posteriores às eleições tem sido repetidamente confirmado por fontes credíveis, inclusive estadunidenses.
A hipótese de uma agressão militar ao Irão parece, contudo, excluída na actual conjuntura. A Casa Branca terá chegado à conclusão, com o apoio do Pentágono, de que no momento em que os EUA se encontram atolados em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, não existem condições políticas e militares para uma escalada na Região que atingiria o Irão.
No Iraque o esforço da máquina mediática para apresentar o país como «pacificado», o que teria permitido a retirada das cidades do exército norte-americano, é desmentido no dia a dia pela realidade.
A violência no mes de Junho e na primeira quinzena de Julho atingiu ali um nível que não se registava há muito. A resistência à ocupação estrangeira aumenta a cada semana e o governo instalado por Washington está desacreditado.
Impressionado pelos relatórios do general Petraeus, Obama cometeu um erro que pode ser fatal para a imagem da sua Administração. Não se limitou a transferir tropas do Iraque para o Afeganistão; decidiu enviar para aquele país mais 21 000 soldados.
Ao erigir o binómio Afeganistão-Paquistão em primeira prioridade da sua politica exterior não parece consciente de que é arrastado por ilusões que, num contexto diferente, desembocaram há meio século na humilhante derrota do Vietname.
A actual ofensiva na Província do Helmand, em que participam milhares de marines, está a correr muito mal e o número de mortos britânicos suscita já protestos no Reino Unido.
O comandante no terreno é um militar americano cujo currículo contribui para aumentar as apreensões. O general Stanley Chrystal tem sido definido pelo seu passado como um criminoso de guerra.
Petraeus fala numa «nova atmosfera» que permita a conquista das populações. Mas ate agora o que se regista é um crescendo do ódio inspirado pelos invasores. Correspondentes europeus, entre os quais jornalistas de El Pais, insuspeitos de simpatia pela resistência, afirmam que não existe contacto algum da tropa com os moradores das aldeias, que fogem dos soldados americanos e ingleses como o diabo da cruz.
O medo de que o radicalismo islâmico alastre pelo Paquistão está na origem da ambiciosa estratégia bipolar em que Obama deposita tanta confiança. Mas os bombardeamentos das tribos do noroeste paquistanês, que já causaram a morte de centenas de camponeses, gera a indignação da minoria pachtun, a segunda do pais, ou seja mais de vinte milhões de pessoas da mesma etnia dos afegãos pachtunes, separados destes por uma fronteira artificial imposta em 1893 pelo império britânico.
O cepticismo dos próprios media norte-americanos quanto ao desfecho da estratégia de Obama para a Região é já inocultável. Alguns são tão pessimistas, que, prevendo uma derrota de consequências catastróficas, definem a guerra no Afeganistão como «o novo Vietname».
Tudo leva a crer que a evolução da estratégia asiática do Presidente dos EUA pesará muito na sua imagem.
O Barack Obama aclamado como salvador providencial da humanidade por intelectuais como Amin Maalouf corre o risco, se as coisas correrem mal na Ásia, sobretudo nas montanhas e vales do Afeganistão, de surgir como o coveiro involuntário do sonho imperial dos EUA.
Vila Nova de Gaia, 14 de Julho de 2009
Fonte:www.anncol-brasil.blogspot.com
Miguel Urbano Rodrigues é Jornalista e Comunista português
Miguel Urbano Rodrigues é Jornalista e Comunista português
Justiça sequestra 27 fazendas e 450 mil bois de Dantas
A Justiça Federal determinou nesta terça-feira (21) o sequestro de pelo menos 27 fazendas do grupo Opportunity listadas pela Polícia Federal com base em investigações realizadas em todo o Brasil. O tentáculo fundiário do banqueiro Daniel Dantas inclui 453 mil bois. Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa de Dantas lava dinheiro através de fazendas, gado e outros negócios agropecuários.
Daniel Dantas e sua irmã Veronica têm participação ativa nas fazendas, segundo a PF. O responsável pela gestão, segundo a Polícia Federal, é Carlos Bernardo Rodenburg, ex-marido de Verônica e ex-diretor do Opportunity. A investigação sobre crimes financeiros descobriu listas de propriedes rurais, mapas de controles de gado e muitos gastos no campo .
Maior rebanho do mundo
O grupo Opportunity começou a investir maciçamente em terras e gado a partir de 2005. Seu tentáculo fundiário, a Agropecuária Santa Bárbara, é capaz de arrematar sozinha 10 mil cabeças de gado, mais de um terço do total orfertado num mega leilão em Cuiabá. O rebanho do Opportunity, de 450 mil cabeças, sobretudo de gado nelore, é tido como o maior do mundo.
A investigação aponta pelo menos 27 fazendas de gado: 23 delas ficam no sul do Pará, duas no norte de Mato Grosso, as de Minas Gerais (Uberaba) e São Paulo (Santo Antonio da Posse, região de Campinas) servem para produzir matrizes (veja o mapa). As propriedades somam 510 mil hectares. Desde a deflagração da Operação Satiagraha pela PF, um ano atrás, algumas delas foram ocupadas por movimentos de trabalhadores sem-terra.
Habeas corpus livraram banqueiro
O sequestro das propriedades rurais do Opportunity foi determinado pelo juiz federal Fausto Martin De Sanctis, o mesmo que condenou Dantas em julho de 2008 e determinou sua prisão. O banqueiro escapou das grades graças a dois habeas corpus consecutidos, concedidos com fulminante rapidez pelo presidente do STF (Supremo Tribunal federal), ministro Gilmar Mendes.
A Polícia Federal afirma que o Opportunity já investiu mais de R$ 700 milhões em agropecuária, sendo Daniel Dantas responsável por mais de 20% deste valor: R$ 140 milhões. Segu8ndo a PF, os negócios com terras e gado servem para lavar dinheiro de operações ilícitas.
A Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, tentáculo do banqueiro no sul do Pará, também está sendo processada pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) por desmatamento ilegal de 51 mil hectares da Floresta Amazônica para a criação de gado bovino. As propriedades paraenses do Opportunity também contabilizam um histórico de casos de trabalho escravo e disputas fundiárias.
Da redação, com agências
quinta-feira, 2 de julho de 2009
8/8/2008 - Carta ao congresso, pela revalidação do diploma dos estudantes Brasileiros de medicina em Cuba
“Trincheiras de idéias valem mais que trincheiras de pedras”

Distintos senhoras e senhores do congresso pela revalidação do diploma dos estudantes de medicina em cuba, por meio desta carta aos distintos senhores pretendemos expressar a situação real dos estudantes de medicina em cuba, residentes em sua maioria na ELAM (Escola Latino Americana de Medicina) instituição de excelência reconhecida por todo a comunidade científica mundial.
Cuba, reconhecidamente, tem hoje uma das melhores medicinas do planeta, com índices muitas vezes superiores aos de países de primeiro mundo, porém, em um grande exemplo de solidariedade e humanismo, poucas vezes antes visto na história, Cuba forma não só estudantes de medicina cubanos, mas também filhos e filhas dos povos de toda a América, em seu principal projeto a ELAM (Escola Latino Americana de Medicina).
A idéia de criar a escola latino americana de medicina surge no final de 1998 como forma de mostrar a solidariedade do povo cubano com os povos irmãos, especialmente da América Latina, ante os desastres causados pelos furacões Mitch e George na América central, surgiu então a idéia por parte do comandante em chefe da revolução Fidel Castro de construir um projeto integral para a região da qual esta instituição forma parte, dez anos depois a ELAM já tem duas turmas graduadas, mais de quatro mil estudantes de 23 países da América, incluindo estudantes norte americanos demonstrando a enorme diferença da posição norte americana de ataque infâmia e calunias e a solidaria posição cubana, a Escola Latino Americana de Medicina conta hoje com mais de quatro mil alunos, se situa na capital de Cuba, Havana, conta com os melhores professores, residência estudantil, os alunos não pagam absolutamente nada para estudar, ganham livros e material escolar, alem de itens Básicos para viver, conta também com laboratórios de química, Física, Anatomia, Fisiologia, histologia, biologia, conta com teatros, quadras poliesportivas, campo de futebol, campo de beisebol, pistas de corrida, aulas de caratê, de artes, canto, entre outras atividades, amplos refeitórios, e boas acomodações. Tendo um dos diplomas de medicina mais bem reconhecidos do mundo, a oportunidade dada hoje por Cuba a esses quatro mil jovens de países subdesenvolvidos de se graduar em medicina em uma das melhores instituições da mundo, constitui um beneficio a toda a América, É notório também o incrível esforço feito por Cuba em manter uma instituição de tamanha excelência, sem nada cobrar, visto que Cuba passa a mais de quarenta anos por um bloqueio econômico feito por parte dos EUA, bloqueio que causa danos e dificuldades imensas a Cuba principalmente ao povo Cubano, é nessa conjuntura que a ELAM forma médicos com consciência, forma médicos de alma não só de diploma, médicos no verdadeiro sentido do juramento de Hipócrates, médicos que tem a consciência de que não se pode falar seriamente de melhora na saúde publica nos seus países e no continente enquanto houver fome, miséria, desalento e opressão, porque fome e miséria também são problemas de saúde publica, médicos com uma consciência nova, de homens e mulheres novos, até quando se vai curar crianças desnutridas, doenças causadas por falta de saneamento, causadas por descaso publico, não, é preciso ter a consciência de que é necessário acabar com a fome e com a miséria, e Cuba hoje da a oportunidade de jovens pobres do mundo, cortadores de cana, indígenas, pessoas que não teriam a condição de fazer medicina em seus países, de se formar médicos, de voltar a seus países e trabalhar para seu povo, mexicanos, peruanos, brasileiros, argentinos, estadunidenses, belizenhos, guatemaltecos, e outros tantos povos de nossa America, porque acima de tudo somos latino americanos, um verdadeiro exercito de médicos prontos para ajudar, um exercito de batas brancas por nossa América, nós estudantes brasileiros de medicina em cuba fazemos desta carta hoje um grito e um apelo as autoridades brasileiras para que não façam da saúde de nosso povo um jogo político, em um país com tantos problemas como nosso tão amado Brasil, que se escute hoje que a ajuda dada por cuba é uma ajuda não só ao Brasil mais a toda a humanidade, que esse grito e apelo hoje chegue ao Brasil com a mesma força que hoje fazemos para nos graduar médicos, para que um dia possamos salvar vidas em nossa pátria, aqui fica nossa mensagem aos distintos senhores e senhoras do congresso, nossa mensagem as autoridades brasileiras, e nossa mensagem a todo o povo brasileiro, nós estudantes brasileiros de medicina em cuba seguimos lutando pelo fim do bloqueio imperialista a cuba e pela validação do nosso diploma, a fim de que um dia possamos trabalhar para nosso povo, para fazer valer a função de um médico em nossa terra, função que ninguém tem o direito de proibir, a inelutável e imprescindível função de salvar vidas.
“Um médico que só de medicina sabe, nem de medicina sabe”
Dr. Ernesto Guevara “Che”
Pelo fim do bloqueio imperialista a Cuba!
Pela Validação do diploma dos estudantes brasileiros de medicina em cuba!
ASS:
Marcus Vinicius Barros de Carvalho. ( RJ )
Michel Mendes Damasceno. ( RJ )
Valmor Rodrigues de Pontes Junior. (SP)
Manoel Carlos Pereira Neto. ( BA )
Stênio Camilo Gomes Machado. ( BA )
Willian Bruno Pereira. ( MG )
Saulo Gruginskie. ( RS )
Daniel Dias. ( SP )
Fonte: www.blog-br.com
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Comunicado urgente desde a clandestinidade
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Honduras: O Gabinete do Governo do Presidente Zelaya se dirige ao povo hondurenho e à Comunidade Internacional.O Gabinete do Governo de Honduras na resistência,Considerando: Que o domingo 28 de junho, nas primeiras horas da manhã, o Presidente Constitucional da República, José Manuel Zelaya Rosales, foi seqüestrado por um grupo de militares e trasladado para Costa Rica, desde onde ele mesmo denunciou em coletiva de imprensa em nível internacional, o golpe de Estado por parte das Forças Armadas e o Congresso Nacional.Considerando:Que o Congresso Nacional da República, fez aparecer uma renuncia com uma assinatura falsificada, desmentida pelo próprio Presidente Zelaya e seu Gabinete.Considerando:Que, com argumentos fora da realidade, procederam a aceitar a suposta renuncia do Presidente e de seu Gabinete de Governo, para depois nomear de forma ilegal e inconstitucional a Roberto Micheletti Bain, que prestou juramento como Presidente de Fato.Considerando:Que a família do Presidente José Manuel Selaya Rosales e os membros de seu Gabinete estão sendo perseguidos, sem o goze de nenhuma garantia legal.Considerando:Que o Presidente de fato e seu ilegítimo governo junto a deputados e grupos militares têm decretado o toque de recolher das 21:00 horas às 06:00 da manhã, violentando direitos garantidos pela nossa Carta Magna.Considerando:A impossibilidade que tem nestes momentos o povo hondurenho de receber informação objetiva e o fechamento de meios de comunicação independentes, em outro flagrante e consumado atentado à liberdade de expressão.Considerando:Que todos os países membros da Comunidade Internacional, incluída a União Européia, a OEA, os países do Cone Sul, os membros da ALBA, o Sistema de Integração Centro Americana (SICA) e a ONU, condenam o golpe de Estado militar, desconhecendo totalmente o Governo usurpador e ilegal e que exigem a restituição imediata e incondicional do único Presidente Constitucional da República, José Manuel Zelaya Rosales.OS MEMBROS DO GABINETE DO GOVERNO DO PRESIDENTE ZELAYA AO POVO E À COMUNIDADE INTERNACIONAL DECLARAM:1. Que o único Governo legalmente constituído e eleito pelo povo é o do cidadão José Manuel Zelaya Rosales.2. Que estamos organizados, junto a membros da sociedade civil, operários e trabalhadores, partidos políticos e sociedade em geral em uma resistência pacífica, desconhecendo a instalação do Governo e Presidente de Fato que pretende dar um golpe sujo à democracia de nosso país.3. Que o povo hondurenho tem reagido valente e pacificamente, contra esse golpe à democracia.4. Que reiteramos que estamos em pé junto ao nosso Presidente, atentos para defender a democracia e estamos certos de que graças ao contundente apoio do nobre povo hondurenho e da Comunidade Internacional restabeleceremos o Estado de Direito e reinstalar-se-á á o Governo de José Manuel Zelaya Rosales, eleito pelo povo, ara que cumpra seu período constitucional e continue sua incansável lavor em favor do povo hondurenho.Conclamamos a todo o povo hondurenho para que continuemos defendendo pacificamente a democracia para que nas próximas horas restabeleçamos a ordem e a paz em nossa amada Honduras.Tegucigalpa MDC 29 de junho de 2009 GABINETE DO GOVERNO DE HONDURAS NA RESISTÊNCIAENRIQUE FLORES LANZA, MINISTRO DE LA PRESIDENCIAEDUARDO ENRIQUE REINA, SECRETARIO PRIVADOREBECA SANTOS, SECRETARIA DE FINANZASFREDIS CERRATO, SECRETARIO DE INDUSTRIA Y COMERCIOCESAR SALGADO, MINISTRO DEL FHISRICCI MONCADA, MINISTRA DE ENERGIAEDWIN ARAQUE, PRESIDENTE BANCO CENTRAL DE HONDURASJACOBO LAGOS, MINISTRO DE STAFF PRESIDENCIALMARCIO SIERRA, VICEMINISTRO DE LA PRESIDENCIABEATRIZ VALLE, MINISTRA DE RREE POR LEYCARLOS ORBIN MONTOYA, MINISTRO ASESORRODOLFO PASTOR FASQUELLE, MINISTRO DE CULTURA, ARTES Y DEPORTESMILTON JIMENEZ PUERTO, PRESIDENTE COMISION NAC. BANCA Y SEGUROS RICARDO ARIAS, VICEMINISTRO DE LA PRESIDENCIAJORGE MENDEZ , GERENTE DE SANAAFRANCISCO FUNES, GERENTE DEL INAMARCO VELASQUEZ, VICEMINISTRO DE TRANSPORTE Y VIVIENDAMARCO TULIO CARTAGENA, SUBGERENTE DEL INAADA SERRANO, DIRECTORA DEL PANIJOSE MEDINA, MINISTRO DE LAS ETNIASANGEL MURILLO SELVA, MINISTRO DE AGRICULTURA Y GANADERIAMAYRA MEJIA, MINISTRA DE TRABAJO Y SEGURIDAD SOCIALMARLON BREVE, MINISTRO DE EDUCACIONMARCO BURGOS, MINISTRO DE COMISIÓN PERMANENTE DE EMERGENCIASKAREN ZELAYA, MINISTRA DE COOPERACIONDORIS GARCIA, MINISTRA DEL INSTITUTO NACIONAL DE LA MUJERJORGE ALBERTO ROSA, GERENTE HONDUTELSUYAPA PRUDOT, MINISTRA DEL INSTITUTO HONDUREÑO PARA LA NIÑEZ Y LA FAMILIA..
Fonte: ANNCOL
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